O ASSUNTO (APAGÃO) NÃO ESTÁ ENCERRADO
Podemos afirmar sem a menor dúvida que o sistema elétrico brasileiro é robusto. Temos uma abrangente malha interligada, o SIN–Sistema Interligado Nacional, de fazer inveja a outras similares.
Porém, o apagão acontecido no dia 10 último expôs alguns problemas que precisam ser estudados com profundidade na busca da melhor solução.
Estamos nos referindo ao que pode se chamar genericamente de Gestão do Sistema Elétrico, incluindo-se aí o modelo híbrido adotado para o setor desde o início do atual governo, que não esconde sua faceta mercantilista herdada do anterior; a operação do sistema pelo ONS–Operador Nacional do Sistema; as normas os critérios e os procedimentos adotados para a operação; o treinamento do pessoal; a modernização dos equipamentos e da tecnologia de proteção das linhas de transmissão; a expansão das linhas de transmissão com a implantação de rotas alternativas de suprimento; e os procedimentos de manutenção do sistema. É preciso também acabar com o loteamento dos cargos de direção das empresas do setor elétrico entre os partidos políticos que apóiam o governo central.
As causas ainda não estão claras, mas as providências (ou falta delas) para o “ilhamento” do problema, estão. Alguns fatos merecem explicações melhores: por que Itaipú gerava a plena carga no momento do apagão?
Raios, tempestades magnéticas e ventos fortes já aconteceram e poderão acontecer até com maior intensidade, sujeitando principalmente as linhas aéreas a todo tipo de condições adversas de operação. Isso é inevitável e temos que trabalhar para minimizar as conseqüências dessas situações, corrigindo as falhas. O que não se pode admitir é que um sistema dessa magnitude deixe uma enorme população de dois países às escuras, por um tempo excessivamente longo, causando prejuízos incalculáveis.
Achamos justo também que se tente melhorar a comunicação da ocorrência ao cidadão que sofreu as conseqüências. Já deveríamos ter abandonado aquela postura antiga de que “o que é bom, dizemos; o que é ruim, escondemos”. Nossas autoridades governamentais poderiam nessas horas evitar a comunicação de informações prematuras, deixando que os técnicos responsáveis pelo sistema, que devem conhecê-lo muito melhor, façam as explicações das causas da ocorrência, as mais verdadeiras possíveis.
Falha em um sistema elétrico não é coisa que esteja diretamente ligada ao governo. É assunto para os técnicos. Se há erros a serem corrigidos, essa é a hora para explicitá-los. O consumidor ficará satisfeito se sentir que não foi enganado e confiará mais numa gestão transparente.
Luiz Pereira
Eng. Eletricista.
17/11/2009