O Setor Público não tem os US$ 8 bilhões, mas o setor privado parece também não ter. O dinheiro privado exige sempre o aporte de grande parcela de recursos públicos. As térmicas à gás, além da dependência com insumos importados, da falta de complementariedade com o parque hidráulico, está longe de ser um exemplo do "espírito empreendedor" do setor privado.
País tem de investir US$ 8 bilhões no setor em 4 anos, diz Tourinho
Para ministro de Minas e Energia, recursos terão de vir da iniciativa privada
RODNEY VERGILI
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse ontem que é preciso investir de R$ 8 bilhões a R$ 8,5 bilhões em geração, transmissão e distribuição de energia nos próximos quatro anos. Segundo ele, o setor público não tem esses recursos. A privatização do setor energético e a aceleraração do programa de termoelétricas podem ser a saída. O ministro participou da solenidade de anúncio da construção de quatro termoelétrica no ABC, um investimento de R$ 1 bilhão. Segundo o ministro, até 2004 o país deverá ter uma oferta energética extra de 26 megawatts (mw) sobre os 62 mil atuais. Desses 26 mil, 15 mil estão assegurados por meio de hidroelétricas e os 11 mil restantes deverão ser fornecidos por termoelétricas.
Tourinho disse no Palácio dos Bandeirantes que para atender uma reivindicação do governador Mário Covas, irá adquirir toda a energia produzida pelo sistema de cogeração do setor sucroalcoleiro. Segundo ele, o setor tem excesso de produção de álcool e a compra de energia fará com que o setor deixe de se preocupar com o Proalcool para começar produzir energia no sistema Procana. O ministro disse não haver um orçamento para a compra dessa energia mas que o governo federal irá adquirir toda a oferta do sistema de cogeração de energia das usinas. Segundo ele, a instalação das termoelétricas em todo o País marca a "transição" por que passa o sistema elétrico brasileiro.
Além de deixar o modelo estatal e passar a ter suporte financeiro da iniciativa privada, ele ressaltou a transição de matriz energética, aumentando a participação do gás natural de 3% para 12%. Por isso, o Ministério estuda a construção de um segundo gasoduto ligando o Brasil à Bolívia.
A usina de Araucária, na região metropolitana de Curitiba, com previsão de término para março de 2002, utilizará o gás natural proveniente da Bolívia, com potência de 480 MW. Depois, será agregada a produção de mais 600 MW, tendo como combustível o resíduo asfáltico proveniente do refino de petróleo da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Também tendo como combustível o gás natural boliviano, a termoelétrica de Londrina, no norte do Estado, entra em operação em março de 2003, com potência de 476 MW. Em Pitanga, na região central, outra termoelétrica começa a operar em meados de 2004, utilizando gás natural de reservas locais. A potência será de 25 MW. A previsão é que a futura usina de São Mateus do Sul, no sul do Paraná, entre em operação em março de 2003, produzindo 70MW.