Serra retoma o projeto de privatização da Cesp
Vanessa Adachi, Maurício Capela e César Felício, Valor
O processo de privatização da Cia. Energética de São Paulo (Cesp) voltou à pauta do governo do Estado, agora sob a gestão de José Serra (PSDB). A decisão de vender a empresa ainda não foi tomada, mas reuniões marcadas para a próxima semana podem definir o cenário. O Valor apurou que os mesmos assessores financeiros que trabalharam na venda da transmissora Cteep para a colombiana ISA no ano passado – os bancos de investimento UBS e Morgan Stanley – estudam o melhor formato para a nova privatização. Potenciais interessados foram sondados. Recentemente, companhias como Energias do Brasil, controlada pela portuguesa EDP, e Tractebel, do grupo franco-belga Suez, declararam interesse. |
| Um decreto publicado ontem no Diário Oficial do Estado anunciou a retomada do Programa Estadual de Desestatização (PED), iniciado em 1996, no governo Mário Covas (1995-2001). A Cesp é hoje a única grande estatal incluída no PED. Com o decreto, Serra atribuiu à Secretaria da Fazenda a coordenação dos serviços de avaliação, modelagem e execução da venda de ativos do Estado. A decisão sinaliza a ótica com que o governador administra o tema: a privatização e a venda de ativos teria como principal objetivo a geração de caixa para o Estado e não seria eixo de programas de desenvolvimento. |
| A Cesp é a segunda maior estatal de geração de energia do país, superada apenas pela Eletrobrás. Tem capacidade instalada de 7,5 mil megawatts (MW), distribuídos em seis hidrelétricas. No governo Geraldo Alckmin, a empresa passou por ampla reestruturação financeira e foi preparada para a venda. Após uma capitalização de R$ 5,5 bilhões, que incluiu emissão de ações, injeção de recursos pelo governo (obtidos com a venda da Cteep) e venda de debêntures, a companhia conseguiu reduzir drasticamente sua dívida e adequá-la ao fluxo de caixa. Em junho de 2006, a estatal devia R$ 10,6 bilhões. Em setembro, o endividamento líquido havia diminuído para R$ 7,4 bilhões. |
| Não é a primeira vez que a Cesp vai a leilão. No fim de 2000 e também em 2001, a estatal quase foi privatizada pelo governo paulista. Mas liminares impediram a venda, algumas delas sob a alegação de que o edital não permitia a participação de estatais de outros Estados no processo. O alto endividamento em dólar também desencorajava o interesse dos potenciais candidatos. O preço mínimo havia sido definido em R$ 1,739 bilhão. |