Sinais externos de privatização?


Eletronorte definha após série de grandes prejuízos



Claudia Safatle, V alor






Com o prejuízo de R$ 349 milhões registrado no balanço de 2006, a Eletronorte, do grupo Eletrobrás, enfrenta uma situação delicada. A empresa, criada em 1973 e que 20 anos depois acumulava um patrimônio líquido de R$ 18 bilhões, encerrou o ano passado com patrimônio de apenas R$ 7,94 bilhões. A principal explicação para esse processo de deterioração, que acaba por reduzir substancialmente a capacidade de investimento da companhia, vem dos consecutivos prejuízos do sistema isolado de distribuição de energia, que em 2006 produziu um “rombo” de R$ 758,2 milhões. Esse resultado decorre da soma dos prejuízos de R$ 498,2 milhões das distribuidoras de energia do Acre, Rondônia e Amapá, com perdas de R$ 260 milhões de duas subsidiárias integrais da estatal, a Manaus Energia e a Boa Vista Energia.






A Eletronorte tem um custo de produção da ordem de R$ 250 o megawatt-hora (MWh), mas vende a energia para as distribuidoras da região a R$ 90,00, em média. O Tesouro Nacional não banca mais esse subsídio. Os lucros da usina hidrelétrica de Tucuruí e da rede básica (do sistema integrado), de R$ 409 milhões, foram usados para neutralizar parte do resultado da Eletronorte.






Soma-se a esses prejuízos R$ 1 bilhão de créditos de ICMS que poderiam ser, mas não têm sido, compensados – porque os governadores dos Estados da região não querem abrir mão da receita gerada com o sistema em vigor, que equivale a uma bitributação – além, ainda, de dívidas acumuladas pela Companhia Energética do Amapá (CEA), da ordem de R$ 320 milhões. A CEA está sob intervenção da agência reguladora (Aneel).







Preocupada, a diretoria da Eletronorte vem mantendo inúmeras reuniões com representantes do Ministério das Minas e Energia, da Aneel e da Eletrobrás para encontrar uma saída que interrompa esse processo. A expectativa, segundo o diretor-financeiro, Astrogildo Quental, é que o governo crie algum mecanismo de compensação, além da atual Conta de Consumo de Combustível (CCC), que neutralize o impacto dos prejuízos do sistema isolado, até que venham soluções estruturais, como a sua interligação ao restante do país.


Comentário


Já assistimosesse filme. Coloca-se na administração da empresa pessoasindicadaspoliticamente, em vez de técnicos capacitados, para satisfazer a base de sustentação e deixa-se a empresa ir deteriorando aos poucos. Aparece a seguir a “salvação privada”.


Esperaramos que no atual governo do país isso não aconteça nem à Eletronorte nem a qualquer outra empresa pública. Vamos ficar alertas.

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