OPINIÃO


A VOCIFERAÇÃO DOS FISIOLÓGICOS




Lá pelos idos de 1984 a Associação dos Empregados de Furnas (ASEF) publicou umdiagnóstico da situação da empresa naqueles derradeiros momentos da ditadura.
Ambiciosamente deu-lhe o título de “Dos empregados de Furnas aos Novo Governo da República”. Evitaram o apelido de Nova República.
Com esperança cândida esperavam atenção. Camilo Penna, o novo presidente da empresa, o destinatário mais próximo do documento, sorriu e engavetou-o.
O capítulo mais ambicioso – O Controle pela Sociedade – foi o primeiro texto que propunha a busca de instrumentos e mecanismos não estatais autônomos de controle das empresas públicas pela sociedade. O que Betinho denominou empresa PÚBLICA E CIDADÃ.

O ILUMINA, fundado em 1996, tornou estatutario esse objetivo. Em 2003 esperávamos com otimismo “delirante” que o governo Lula iniciasse a grande reforma de gestão proposta em todos os planos de energia do PT desde a campanha eleitoral de 1989, e reiterado em escasso parágrafo no plano elaborado pelo grupo do Instituto da Cidadania lançado festivamente com a presença de Lula no Clube de Engenharia em 30 de abril de 2002. Até o modêlo institucional do setor elétrico foi mantido com sua estrutura exacerbadamente mercantil e suas complicações desnecessárias.

Como teria sido tudo diferente se os instrumentos e mecanismos de controle pela sociedade tivessem sido criados, a começar por Conselhos de Administração ampliados, que impediriam ou, pelo menos, minimizariam os velhos controles partidários fisiológicos ou controles mistos partidários/sindicais que poderiam ser denominados neo-fisiológicos, lamentavelmente surgidos após 2003.

O que está acontecendo agora com a diretoria de Furnas é simples sequela de histórico mal comportamento. Mal comportamento que se exacerbou simultaneamente à mediocrização crescente ao longo dos anos noventa, entrando pelo novo século. Teria sido evitado – ou minimizado – se desde 2003 as empresas do setor tivessem sido transformadas em PÚBLICAS E CIDADÃS .

Olavo Cabral Ramos Filho
27/02/2009

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