Opinião divergente. Repotenciação de usinas


País não precisa de nova usina, diz professor da USP


O Brasil não tem necessidade de construir mais hidrelétricas para atingir a meta do PAC de aumentar a oferta de energia elétrica em 12.300 megawatts até 2010. A afirmação é do engenheiro Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e autor de um dos capítulos do “Dossiê Energia”, lançado ontem pelo Instituto de Estudos Avançados da USP. “Efetivamente não precisa construir uma nova usina”, disse o pesquisador: “O Brasil tem hoje aproximadamente 70 usinas com mais de 20 anos que poderiam sofrer uma repotenciação [troca das turbinas]”, explica. Se isso fosse feito, mais ou menos 60% da meta do Programa de Aceleração do Crescimento já seria contemplada: “O custo é bem menor comparado à construção de novas usinas, que absorvem 60% dos investimentos somente em obras civis”, lembra. Os 40% restantes da meta do PAC poderiam ser obtidos sem nenhuma nova obra civil: “O próprio governo assume que as perdas do setor elétrico nacional hoje, desde a transmissão até chegar ao domicílio ou ao eventual consumidor industrial, são da ordem de 15%.” Os processos de repotenciação renderiam quase 8.000 megawatts, e a redução do desperdício, mais 4.850 megawatts. Mas “isso tem de ser bem planejado, porque implica desligar as usinas para que as máquinas mais potentes possam ser instaladas”. (IF/Nuca/IE/UFRJ/Folha de São Paulo – 27.04.20007)

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