
AS HIDRELÉTRICAS E A CARAVANA DO GÁS
Eng. Felício Limeira
Abril/2007
Se as expressões atribuídas ao Presidente Lula, sobre o Ibama e o bagre, são verdadeiras, ele está perdendo uma bela oportunidade de dirigir a todos nós brasileiros uma pergunta fundamental: nós podemos, devemos e vamos abrir mão do nosso potencial hidrelétrico remanescente?
Dos que responderem afirmativamente a esta questão gostaríamos de ouvir também algo sobre as suas visões do nosso futuro energético, sobretudo quanto à forma como vamos gerar divisas para comprarmos maciçamente energéticos cada vez mais caros que não temos o bastante e, não menos importante, como vamos manter a segurança desse suprimento longe da volatilidade geopolítica e comercial dos respectivos “mercados”.
Sabemos perfeitamente que o nosso potencial hidrelétrico remanescente é finito e a longo prazo (quantos anos?) teremos de contar com outras formas de energia. Mas até lá teremos tempo de desenvolver com serenidade e autonomia, e se possível com tecnologias nossas, as alternativas mais convenientes e seguras para nosso país.
O fato é que a energia hidrelétrica foi posta em quarentena e de lá só sai em conta-gotas. Emparedada entre o fundamentalismo ambiental e o fundamentalismo de mercado (o Estado só deve investir em educação, saúde, etc.), a hidreletricidade tornou-se o patinho feio da matriz energética brasileira. Enquanto os ambientalistas latem (sem ofensa) a caravana do gás passa.