OPINIÃO
INDIOS, BANDEIRANTES E A PASSAGEM DO PIUM-I
Olavo Cabral Ramos Filho
Agosto de 1999
O ILUMINA tem concordado, estrategicamente e até taticamente, com as posições do governo de Minas Gerais em relação a cisão e privatização de FURNAS. O ILUMINA, inclusive, tem participado e colaborado incondicionalmente em trabalhos e diversos eventos polarizados positivamente pelo governo de Minas Gerais sobre a matéria.
Entretanto, preocupa-se com colocações recentes que podem mesmo se racionalizadas como puramente táticas introduzir argumentações extremamente contra-produtivas ou, mais simplesmente, podem " dar bolas rolando" para aqueles, no poder, que postulam a cisão e privatização indiscutível e inexorável de FURNAS. Sem mesmo entrar no mérito de tópicos primordiais, acusados de ideológicos, tais como soberania e desnacionalização, vasta quantidade de argumentos técnicos foram incorporados em trabalhos do ILUMINA e veiculados no seu "site".
Recentemente os aspectos constitucionais da questão foram analisados no relatório patrocinado e divulgado pelo governo de Minas Gerais, sendo demonstrado exemplarmente sobretudo pela jurista Carmen Lúcia Antunes Rocha o grande equívoco dos caminhos escolhidos pelo governo FHC.
Então, quais seriam as argumentações a evitar ?:
As bacias do Rio Grande/ Paraná e do São Francisco misturavam-se, sobretudo na estação de chuvas, na passagem do Pium-I. Os índios já sabiam disso antes de Cabral. Os bandeirantes usavam a passagem para o transbordo de suas grandes canoas entre as duas bacias. Em Pium-I foi construída a barragem de contenção que viabilizou o reservatório da usina de Furnas como grande massa hídrica reguladora da cascata de usinas do Rio Grande. O eng. John Cotrim, se estivesse vivo, sempre positivamente e eficazmente irritado com certos tipos de argumentação, já teria vindo a público questionar, como inoportunas, as ameaças de desvio para a bacia do Rio São Francisco das águas da bacia do Rio Grande. Cotrim, sem eliminar a usual e pertinente ironia, perguntaria se estariam pensando na demolição da barragem do Pium-I. Recomendaria verificações topográficas e estudos de viabilidade econômica, pois investimentos pesados seriam necessários para que fosse completada, com razoável viabilidade energética, tal peculiar alternativa. Candidamente, imagina-se que não deve passar pela cabeça de ninguem a pura dinamitação da barragem de Pium-I nem, à moda dos anos vinte, o uso da força pública estadual para executar ou proteger os executantes da demolição.