EVASÃO DE DIVISAS |
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O Brasil transferiu liquidamente para o exterior US$ 31,7 bilhões a mais do que recebeu no ano passado, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU). Em relatório sobre as perspectivas econômicas globais, a ONU diz que a tendência de países em desenvolvimento financiarem países ricos vem ocorrendo já por uma década e questiona a sustentabilidade desse fenômeno. Segundo a ONU, o grupo de países em desenvolvimento aumentou a transferência líquida de recursos financeiros para as nações industrializadas para US$ 657,7 bilhões em 2006, quase o dobro de 2004 e US$ 123 bilhões a mais do que em 2005. Só a América Latina mandou para fora US$ 123,1 bilhões a mais do que recebeu no ano passado. Segundo economista da ONU que participou da elaboração do relatório, o Brasil e a Venezuela foram os países de maior transferência liquida na região, com pouco mais dos US$ 30 bilhões cada um, enquanto México transferiu US$ 16,8 bilhões e a Argentina, US$ 9,6 bilhões. Até a África subsaariana, uma das regiões mais pobres do planeta, está agora mandando mais dinheiro do que recebe do exterior, num total de US$ 10,1 bilhões no ano passado. Essa transferência é definida como entrada líquida de capitais menos saída de recursos para investimentos, pagamentos de juros e remessa de lucros. A acumulação de reservas oficiais é um dos principais mecanismos pelo qual esse fenômeno tem ocorrido. As nações em desenvolvimento têm agora mais de US$ 3 trilhões de reservas oficiais. Só a China acumula acima de US$ 1 trilhão. Essa situação assegura maior proteção contra choques externos provocados pela volatilidade dos mercados mundiais. Mas a ONU considera que ela também traz tanto problema de custo para os emergentes como a esterilização das conseqüências monetárias de acumulação excessiva de reservas cambiais torna-se “crescentemente penosa para a economia doméstica”. Além disso, essa acumulação faz aumentar o déficit externo do país, cuja moeda serve de principal reserva, que são os Estados Unidos. Um ajustamento “desordenado” desses desequilíbrios financeiros globais, com adaptação abrupta do déficit externo dos EUA e forte desvalorização do dólar, pode atingir severamente os emergentes, analisou a ONU. (Valor Econômico/AEPET) |