Petróleo e energia mantêm o programa de privatização
A área de geração elétrica e a exploração de petróleo são as reservas do governo federal para fazer caixa nos próximos anos. Encerrado o leilão da Telebrás, autoridades do governo ligadas ao petróleo revelaram a expectativa de repetir nas concessões o sucesso da telefonia. As previsões já começaram: segundo análise do Citibank, o potencial de arrecadação da União com privatizações até 2001 é de 48,8 milhões de dólares, incluindo no montante os 60% a serem pagos nos próximos dois anos pelos grupos que arremataram a Telebrás. ‘O filé serão as grandes empresas do setor elétrico, que dão muito ágio, e concessões para exploração e refino de petróleo’, afirma o economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas.
A movimentação já começou. No petróleo já foram definidas as áreas de exploração que ficarão com a Petrobras e aquelas destinadas à iniciativa privada. Também já foram feitas as primeiras parcerias com grupos privados do setor, entre eles o gaúcho Ipiranga.
Na área de energia, o processo é mais antigo, e 51% do mercado de distribuição já estão privatizados, conforme ressalta o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito. Também a geração começa a ser desestatizada. O primeiro leilão será realizado em setembro, quando a Gerasul, empresa resultante do desmembramento da Eletrosul, será ofertada pelo preço mínimo de R$ 945 milhões. Pela ordem, serão privatizadas depois Furnas, Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) e Eletronorte. Segundo as projeções do Citibank – que são conservadoras, conforme o economista-chefe Carlos Lawall -, o valor a ser arrecadado até 2001 é quase igual à receita gerada pelas privatizações a partir de 91. Nesse período, entraram 54,5 bilhões de dólares nos cofres da União.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 2 DE AGOSTO DE 1998