Pode parecer que o ILUMINA declarou à jornalista que o problema do setor é a dependência das chuvas. O que foi dito é que as novas usinas a gás terão um duplo papel, caso as afluências futuras sejam apenas médias: Atender o mercado e encher os lagos das usinas. Como já dito várias vezes no nosso site, dado o tamanho dos reservatórios essa não é uma tarefa fácil. Quanto à declaração de FHC, …os bobos somos nós…
Situação atual justifica manter metas de consumo
Nível das chuvas e cronograma de obras são as principais preocupações
RENÉE PEREIRA
Não faltam polêmicas para tumultuar ainda mais o tão criticado setor elétrico brasileiro. Depois da complicada instituição das regras para redução de energia, que passaram por várias mudanças, mesmo depois de divulgadas, uma nova dúvida paira no ar: até quando vai o racionamento? A possibilidade de acabar este ano está praticamente descartada. E não faltam justificativas para tal decisão.
Segundo o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), Roberto Pereira D’Araujo, isso já era previsto. Antes mesmo de o plano entrar em vigor, ele já alertava para as dificuldades em acabar com um racionamento. "Se a adoção do plano é complicada, a decisão de suspendê-lo é duplamente mais difícil."
O problema é a dependência das chuvas. O atual plano foi traçado levando em consideração uma média histórica de afluências – no momento de 75%. Se essa chuva não vier, os números se alteram. De acordo com a "curva guia" do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o País deverá fechar o ano com o nível dos reservatórios em torno de 15% (abaixo de 10% a usina não opera).
Em abril do próximo ano, porém, as represas precisarão estar com o nível em torno de 45%, para suportar a demanda no período de seca. Esse número já considera as obras previstas no plano emergencial do governo. Aliás, este é outro problema. O atraso no cronograma, também pode alterar a previsão.
Segundo técnico do ONS, para acabar com o racionamento com segurança, é preciso ter um estoque de energia suficiente para não ter de recorrer a outro plano um ou dois meses depois. Se isso ocorresse, a imagem do presidente seria ainda mais arranhada. E, às vesperas de ano eleitoral, o governo não vai querer arriscar, dizem especialistas.
Na avaliação de D’Araújo, na atual situação, a melhor saída é a prorrogação do término do plano. "Até porque, as previsões mostram novo período de seca." Por isso, é melhor se acostumar com a idéia de conviver com o racionamento por mais tempo.
FHC diz não ser ‘bobo’ de cancelar plano
Presidente assegura que esforço para garantir energia não será suspenso por causa das eleições
TÂNIA MONTEIRO
BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que não é bobo, descartando que vá suspender o racionamento de energia no próximo ano por causa das eleições. Segundo ele, o esforço para garantir o abastecimento de eletricidade será mantido em meio à campanha eleitoral e o governo continuará investindo em fontes alternativas de energia. "Se eu fizesse isso, eu seria não só irresponsável como bobo", disse o político tucano. "A imprensa imediatamente denunciaria que nós estaríamos fazendo um truque e isso, hoje, não pega mais."
Ao anunciar que o racionamento será mantido, o presidente se antecipa aos fatos e tenta esvaziar futuras críticas de seus adversários, que explorariam eleitoralmente contra o governo a eventual suspensão do plano.
Fernando Henrique protagonizou ontem mais um ato na agenda do apagão e lançou edital para utilização de gás natural de Urucu para abastecer as usinas térmicas de Manaus. Durante a solenidade, o presidente afirmou que a geração de gás passa a ser encarada pelo governo federal como prioridade, dentro de uma política de diversificação das fontes de energia.
"Diversificar não significa a substituição da matriz de eletricidade por outro tipo de fonte geradora", reafirmou o presidente. "Não é desejável que se mude isso."
Segundo ele, as ações do governo levarão a uma expansão da produção de energia no prazo de três anos, acrescentando 8 mil megawatts no setor hidráulico e 15 novas termoelétricas que serão construídas em parceira do governo federal com a iniciativa privada.
O presidente fez um balanço da expectativa do governo em outras fontes de energia: dois mil megawatts virão do uso de biomassa, mil megawatts por meio de energia eólica. "Somando esses megawatts todos, nós podemos dizer que dos males há que se tirar proveito", comentou Fernando Henrique. "Estamos tirando proveito e vamos dar um salto muito grande", frisou.
Segundo ele, em três anos a produção de energia crescerá em 20 mil megawatts. "Isso mostra o grande esforço nacional, dando um sinal claro àqueles que investem no Brasil, de que podem continuar investindo, porque nós estamos levando adiante as transformações estruturais que são importantes."