Análise do ILUMINA: O Brasil se tornou uma nação de superficialidades e complacências. É um país de boca fechada.
Aqui se convive com graves crimes diários como se fossem meros roubos de galinha. Aqui se convive com mortes diárias em hospitais como se fossem destino incontornável. Aqui se convive com evidencias de som e imagem de desonestidade de políticos como se fossem vídeo cassetadas. Aqui se convive com desastres recorrentes sem que nenhuma ação preventiva seja tomada. Aqui se convive com uma ex-estatal que destruiu um rio e ficou por isso mesmo.
Ora, num país assim, privatizar uma empresa como a Eletrobras é como vender um botequim. O que se podia esperar?
O Ilumina tem essa mania de ir a fundo nas questões. O que é a Eletrobras? O que é o setor elétrico no Brasil?

O quadro acima mostra quem são os maiores produtores de energia a partir de usinas hídricas, essas que ficam nos rios e capturam, através do movimento das turbinas, a eletricidade que tanto precisamos e cada vez mais.
Reparem que, apesar da grande quantidade, em alguns países, a hidroeletricidade representa uma parcela pequena da energia elétrica total.

Apenas Noruega, Venezuela, Brasil, Canada e Suécia têm sua matriz elétrica baseada majoritariamente em usinas hidroelétricas. Portanto, não somos um país qualquer querendo vender uma empresa estatal. É preciso dizer que em nenhum desses países a solução é privatizar tudo?
E os outros? Apenas o Japão tem apenas empresas privadas atendendo sua demanda elétrica. Grandes usinas hidroelétricas americanas pertencem ao exército. E a China? Estatais que agora vêm comprar o que resta desse setor elétrico brasileiro que já foi orgulho e, agora, está destruído.
A palavra da moda é “ineficiência”. Foi garimpada pelo atual presidente Wilson Ferreira, experimentado gestor do setor elétrico e que, por isso mesmo, não tem o direito de dizer que desconhecia os problemas do modelo. Enquanto esses defeitos trouxeram grandes lucros para o setor privado, todos ficaram quietinhos. Assim que os defeitos eclodiram, muitos advogados, entrevistas, reclamações e acusações de ineficiência. A vítima é a Eletrobras!
- Sobre os 18 encargos surgidos depois de 1995, nenhuma palavra. Alguns desses 18, já foram extintos, mas foram pagos. O Ilumina pode listá-los, caso desconfiem.
- Sobre a elevação de 130% acima da inflação da indústria cativa depois de 1995, nenhuma palavra.
- Sobre o despejo de distribuidoras problemáticas sobre a Eletrobras, livrando o setor privado desses abacaxis, nenhuma palavra.
- Sobre o verdadeiro Bolsa MW advindo da descontratação da Eletrobras de 2003 e que fez a festa do mercado livre até 2012 (onde está o setor privado), nenhuma palavra.
- Sobre o pouco interesse do investimento privado em construir sem uma segunda ajuda (a primeira é o BNDES) de parceria minoritária da Eletrobras, nenhuma palavra.
- Sobre a isenção de responsabilidade dada ao setor privado pela identificação das usinas antigas (claro, da Eletrobras) como única explicação para os aumentos tarifários na MP 579 do governo Dilma, nenhuma palavra.
É preciso explicar à jornalista, que, redução de preços, advindas de novas tecnologias, agora, é fácil. Primeiro dobra-se a tarifa por inúmeras trapalhadas e depois alardeia-se reduções de 2% ou 3% como grandes vitórias. Talvez fosse importante lembrar que vídeos de pulo de catraca não são as evidências mais graves ocorridas nesse governo.
POR MÍRIAM LEITÃO12/01/2018 21:45
O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, acha que no começo do segundo semestre o governo vai conseguir privatizar a empresa. Ainda não há marco legal para isso, a MP que tratava do assunto foi sustada pela Justiça, o projeto de lei que regula essa privatização ainda nem foi para o Congresso. Deve ir antes do fim do recesso. Ele acredita que o Projeto de Lei será aprovado ainda no primeiro semestre.
Passaram-se quase cinco meses desde que o governo anunciou a proposta de reduzir sua participação no capital da Eletrobras, mas nada foi feito até agora. Há muita pressão das bancadas do Nordeste e Norte para que a estatal não seja privatizada. Entrevistei na Globonews o presidente da companhia. Ele não quis entrar na polêmica política:
— O governo vai privatizar a empresa. Você faz referência a um conjunto de políticos, mas nós temos 513 deputados e 81 senadores. Quero crer que a sociedade brasileira esteja bem representada em sua maioria. Para aprovar o PL é preciso maioria simples. Os grupos que perdem privilégios estão identificados claramente.
A dúvida do consumidor é se o processo de venda da Eletrobras pode levar a aumento dos preços de energia. Em outros países, tem havido queda de preços, como a Alemanha e o Chile, porque eles mudaram suas matrizes, aumentando a presença das novas energias renováveis, especialmente solar e eólica, e abandonando as velhas térmicas muito mais caras e poluidoras. O presidente da Eletrobras acha que um fenômeno semelhante pode acontecer no Brasil:
— Essas são fontes contemporâneas, mais novas, mais eficientes, mais baratas. O que nós temos, infelizmente, e que onera o consumidor, é a energia térmica que foi feita na época do racionamento e que é muito cara. Essa energia tem uma concessão de 20 anos. Na próxima década, ela toda será substituída, por isso além de ter energia mais eficiente, nós vamos substituir as fontes mais caras.
São várias as pedras no caminho até a privatização. O que mantém a confiança do presidente da empresa é que a previsão da receita com a venda está no Orçamento: R$ 12,2 bilhões. Mas outros integrantes do governo, que tenho ouvido, temem que tenham que cobrir também esse rombo, se não for possível vender. Por outro lado, há a dúvida sobre o que vai acontecer em alguns estados.
As distribuidoras do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Piauí e Alagoas terão que ser vendidas para preparar a Eletrobras para a privatização. Elas estão mergulhadas em dívidas. Serão vendidas por R$ 50 mil cada uma. O presidente da Eletrobras diz que propôs, e o Conselho já aceitou, assumir R$ 11 bi de dívidas:
— São dívidas que têm a garantia da Eletrobras. Teríamos que honrar.
Serão vendidas por um preço simbólico e ainda deixarão essa conta espetada na Eletrobras. Como têm outras dívidas, que ficarão com o comprador, há o temor no governo de que não apareça interessado. Neste caso, teria que haver a liquidação das empresas. Quem garantiria o fornecimento de energia nestas áreas? Hoje mesmo, a distribuição nesses estados se dá de forma contratual precária porque as concessões venceram há um ano e meio. Apesar disso, a Eletrobras continuou garantindo a operação.
Wilson Ferreira diz que, desde que assumiu, o número de funcionários foi reduzido à metade. Havia 24 mil funcionários e hoje são 12 mil. Ele teve inclusive uma briga com os sindicatos, quando disse haver gente demais na parte administrativa e que a sociedade não tinha que pagar pelos “vagabundos”. Explicou que se referia a pessoas que entravam na empresa e depois pulavam a catraca para não haver registro de que haviam saído:
— Havia vídeos mostrando isso.
Desde que começou a nova gestão, e principalmente depois de ter anunciado que a Eletrobras seria privatizada, houve um aumento do valor de mercado da companhia. A participação do governo valia R$ 6 bilhões e hoje vale R$ 18 bilhões. Mas até a privatização, o governo tem um longo caminho para aprovar o PL. No Congresso estão os políticos que sempre se beneficiaram com as nomeações para os cargos de direção da estatal. Para Wilson Ferreira, mesmo sendo ano eleitoral, o governo conseguirá aprovar tudo e vender a empresa no começo do segundo semestre.
2 respostas
Roberto
Infelizmente, no Brasil certos jornalistas, como a Senhora que assina esta matéria, se arvoram de conhecedores de determinados assuntos e ficam arrotando para o povo informações inverídicas, meias verdades e até mesmo falsidades, seja por falta de conhecimento técnico, ou seja mesmo por outros motivos.
Veja-se a informação contida nesta matéria de que na Alemanha “tem havido queda de preços (da energia…) porque eles mudaram suas matrizes, aumentando a presença das novas energias renováveis, especialmente solar e eólica, e abandonaram as velhas térmicas muito mais caras e poluidoras”.
A informação central contida nessa expressão é falsa. A introdução das fontes renováveis (eólica e solar) na matriz de produção de energia elétrica da Alemanha não produziu redução de preços, mas sim considerável elevação, chegando a criar certos problemas para a economia do País e protestos de grupos sociais. Entretanto, a bem da verdade, registre-se que não era reduzir preços o que se pretendia esse Programa.
O objetivo do Programa de fontes renováveis na Alemanha era e é substituir as usinas nucleares e sobretudo as “velhas usinas térmicas a carvão”, estas muito poluidoras, sem dúvida, porém produzindo energia elétrica ainda bem mais barata do que as fontes renováveis eólica e solar. Pode-se dizer que o programa de fontes renováveis da Alemanha foi, na essência, bem sucedido, mas não com relação a preços da energia.
Infelizmente, porém, a Alemanha ainda não resolveu de todo o seu problema, pois diante das condições técnicas efetivas de disponibilidade e custos das duas referidas fontes renováveis, até o momento somente foi possível conseguir que a soma das energias geradas pelas fontes solar e eólica, juntas, cubram pouco mais de 20% da carga, permanecendo o restante coberto por cerca de 50% de usinas a carvão e dificilmente se conseguirá atingir a meta de erradicar as usinas nucleares, que continuam gerando perto de 20% da carga.
Há muitos anos ouvi de um “Velho Técnico” uma afirmativa que internalizei e ainda hoje tenho como certa. “Energia é coisa séria, assunto para profissionais”.
Como a venda das distribuidoras é pré-condição para a privatização da Eletrobrás, o anúncio desta medida reforça as resistências à venda daquelas empresas. Não está claro porque no Maranhão, em Sergipe e no Rio Grande do Norte, para citar alguns exemplos, as distribuidoras podem ser privadas e no Piauí, em Alagoas e em Rondônia só funcionam à base de subsídios? Não está na hora de privatizar o controle da Eletrobras. Afinal, não há um novo modelo do setor elétrico em discussão?