Rondeau não aceita sugestão da Aneel

Silas Rondeau descarta sugestão feita por agência

Samantha Maia, Valor
19/10/2006

O ministro de Minas e Energia Silas Rondeau não considera justificável retirar usinas térmicas que não tiverem gás natural para funcionar da contabilização de energia disponível no sistema interligado nacional. Essa hipótese foi colocada em audiência pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) depois que 6 entre 11 térmicas que foram chamadas a operar em determinados dias de setembro e outubro não o fizeram por falta do insumo. A mudança poderia causar aumento de tarifas de energia elétrica na medida em elevaria a participação de térmicas mais caras (movidas por óleo combustível ou diesel, por exemplo) na formação da oferta nacional de energia.


O ministro, porém, nem cogita a hipótese levantada pela agência reguladora. “A Aneel está no papel dela, mas essa é uma discussão que passa principalmente em saber qual será o impacto na tarifa, e quanto a isso nós estamos atentos”, disse Rondeau.


A retiradas das usinas a gás da contabilização da oferta do sistema nacional provocaria o aumento dos preços, o que poderia atingir os grandes consumidores industriais. Segundo o ministro, contudo, o não funcionamento dessas termelétricas não é um entrave efetivo para o setor. Ele foi um evento pontual.


De acordo com Rondeau, o problema da falta de gás é localizado. “As usinas termelétricas que não estavam funcionando no mês passado, das 11 chamadas, não tinham gás disponível naquele momento. Mas agora todas as que foram chamadas a operar estão operando”, disse, explicando que a necessidade de ativação das usinas varia dia-a-dia, e que ontem, por exemplo, a exigência era de quatro termelétricas. “O que estamos sinalizando é se o modelo de monitoramento do setor elétrico, que exige a entrada eventual de termelétricas, está correto ou não tendo chuva como nós estamos vendo aqui”, explicou o ministro, referindo-se à chuva que caía ontem à tarde na capital paulista.


Rondeau participou ontem, na cidade de São Paulo, da cerimônia de lançamento do uso do biodiesel, em mistura de 30% com o diesel, numa frota de 1.880 ônibus em caráter experimental. “No momento em que a legislação garante 2%, nós temos em caráter excepcional, autorizado pela ANP [Agência Nacional do Petróleo] uma frota da maior cidade do Brasil utilizando 30% do biodiesel. Isso é uma confirmação de que o programa nasceu para ter sucesso”, disse.


O programa foi lançado pela empresa de tecnologia em biocombustíveis B100 Participações e pela Petrobras Distribuidora. A empresa dona da frota de ônibus é a Viação Itaim Paulista. Segundo o presidente da B100, Roberto Abreu, a intenção é avaliar a viabilidade da substituição de biocombustíveis ao diesel mineral. “O custo será o mesmo, mas vamos diminuir a importação de diesel e trazer benefícios ecológicos”, afirmou o executivo.


É esperada uma redução de 40% da emissão de gases poluentes com a utilização da mistura.


Ivonice Campos, coordenadora de soluções tecnológicas da B100, disse que o uso de 30% do biodiesel na mistura garante a competitividade para as empresas. “O preço do biodiesel no último leilão da ANP foi de R$ 1,75 sem impostos. Com impostos o valor fica equivalente ao do diesel comum.”


Aneel prorroga audiência pública sobre disponibilidade de térmicas
Contribuições servirão de subsídio para o planejamento de operação do sistema no médio prazo


Da Agência CanalEnergia, Mercado Livre
18/10/2006



A Agência Nacional de Energia Elétrica prorrogou até 27 de outubro o prazo para envio de contribuições, por escrito, à proposta de resolução que trata da inclusão no Programa Mensal de Operação Eletroenergética do Operador Nacional do Sistema Elétrico da real disponibilidade de geração das térmicas centralizadas em razão da falta de combustível. Pela proposta em audiência pública, o ONS deverá considerar o indicador de disponibilidade observada por usina e calculado mensalmente para o despacho.


Esse índice equivale à relação entre geração programada por ordem de mérito de custo e geração não atendida por falta de combustível. As contribuições colhidas na audiência pública e os resultados de estudos realizados pelo ONS e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica servirão de subsídio para o planejamento de operação do sistema no médio prazo.


Esse planejamento deverá considerar a eventualidade de geração de termelétricas com custo mais alto dada a inexistência de garantia de combustível para o atendimento da programação de geração, além dos reflexos da redução da disponibilidade das térmicas sobre o nível dos reservatórios de usinas hidrelétricas que gerarem energia além do previsto.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *