| Empresa americana El Paso reduz atuação na geração térmica e foca petróleo e gás |
Uma das mais agressivas empresas americanas a investir em geração termoelétrica no Brasil na década passada, a O objetivo é fazer um “leasing” com validade de três anos. O anúncio foi postado na página da El Paso na internet, onde o nome da cidade foi grafado incorretamente como “Rio de Janiero”. Segundo o anúncio, o andar oferecido tem 5.110 metros quadrados e conta com facilidades, além de cinco vagas de garagem. Considerando-se que o prédio tem 12 andares e uma cobertura, o aluguel do térreo pode não ter grande representatividade, mas no mercado o movimento é visto como o início de uma reorganização da empresa no Brasil, que pode não precisar de tanto espaço no futuro. A El Paso já manifestou anteriormente sua intenção de concentrar seus negócios no Brasil nas áreas de exploração e produção de petróleo e gás. A empresa americana chegou a gerar 1,5 mil megawatts (MW) térmicos no Brasil, fruto de investimentos superiores a US$ 2 bilhões. Agora, deve ficar com apenas 50% de um ativo de geração: a TermoNorte, em Porto Velho (RO), que tem duas unidades com capacidade de gerar 414 MW e onde é sócia daNa área de petróleo a El Paso tem participação, sozinha ou com parceiros, em 15 áreas, das quais duas estão em produção: os campos de Pescada e Arabaiana (RN), operados pela Petrobras, que tem 65%. A empresa americana é operadora de dois campos onde descobriu gás: Lagosta, na bacia de Santos, e Sardinha (BA). Ambos ainda estão na fase de análise, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), dos planos de desenvolvimento. O inferno astral da companhia começou em 2002, logo após a crise desencadeada pelas fraudes contábeis da Enron nos Estados Unidos, e se intensificou em 2003, quando Eletrobrás e a Copel questionaram, quase no mesmo tempo, contratos de compra de energia das usinas da El Paso no Brasil construídas em Manaus (AM) e Araucária (PR). Em 2004 a pressão aumentou, com a decisão da Petrobras de questionar o contrato da térmica Macaé Merchant, no Rio. Logo que assumiu a presidência da Eletrobrás, em 2003, o físico Luiz Pinguelli Rosa e seu diretor financeiro, Alexandre Magalhães, questionaram a renovação automática dos contratos de compra, pela A No Paraná, a El Paso pode estar caminhando para resolver uma dor-de-cabeça que começou imediatamente após a posse do governador Roberto Requião (PMDB), que em 2003 denunciou o contrato de compra, pela Copel, da energia produzida pela térmica de Araucária, na qual a própria Copel e a Petrobras têm participações minoritárias. A pendência está sendo resolvida agora, com a venda da usina para a Copel por US$ 190 milhões. O valor é inferior aos US$ 800 milhões em indenizações e multas pleiteados pela El Paso quando teve início o processo arbitral em Paris. Com a Petrobras, a companhia americana brigou durante dois anos. Em 2004 a petroleira estatal entrou com processo arbitral para questionar as contribuições de contingência previstas no contrato da Macaé Merchant, que eram bancados integralmente por ela. A briga foi vencida pela estatal, que no dia 3 de fevereiro anunciou a compra da usina por US$ 357,5 milhões, podendo sacar ainda R$ 518 milhões, corrigidos, que estavam depositados em uma conta judicial. A americana alegava ter investido US$ 800 milhões. Em dezembro de 2005 a El Paso reformulou suas operações no Brasil e reduziu o quadro de funcionários. Na ocasião deixaram a companhia os vice-presidentes de regulamentação, Xisto Vieira Filho (que foi secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia na gestão de Rodolpho Tourinho), o de relações institucionais, Roberto Almeida, e o de operações, André Levy. Desde então passou a adotar uma espécie de “lei do silêncio”. C.Schüffner, Valor,Rio |