Santa Fé!

Empresas vão gerar 41 mil empregos




SANTA FÉ DE MINAS, MG – A exploração na Bacia do São Francisco começou na década de 60, com a descoberta de emanações de gás. Em 1970, o município de Montalvânia, na divisa com a Bahia, foi objeto de estudos. Mesmo assim, o interesse das empresas só veio em 2005, depois de tentativa frustrada de leilão da Agência Nacional do Petróleo, em 2002, quando nenhuma companhia apresentou lances.


O súbito apetite intriga o diretor da Geobras, Luiz Andrade. Segundo ele, foi justamente neste período que a empresa de pesquisas em mineração descobriu o potencial de gás por meio de estudo aerogeofísico (avião equipado com sensores que identificam hidrocarbonetos).


– Multinacionais ligam perguntando como temos informações tão parecidas. Todas as nove áreas que ganhamos, a Petrobras disputou conosco. E em todas que eles arremataram, também fizemos lances – lembra.


Se a Geobras insinua que houve vazamento de informação, para o presidente da BG, Luiz Costamilan, o crescimento do consumo de gás no país, sem proporcional aumento da oferta, nos últimos dois anos, explica a mudança de comportamento das empresas. Para o superintendente da ANP, Milton Franke, bastaram algumas palestras sobre o fenômeno que ocorre na região para o desprezo acabar. As dúvidas sobre o rumo da Bolívia, fonte de mais da metade do gás natural consumido no país, também podem ter disparado o gatilho da disputa.


Com 41 mil postos de trabalho prometidos pelas empresas que arremataram as concessões, São Francisco é com folga a bacia terrestre com mais potencial de investimentos e geração de emprego no país. O investimento em exploração de toda a bacia nos próximos seis anos chega a US$ 125 milhões. Para vencer a Petrobras na disputa, só a Geobras prometeu R$ 114 milhões. “Se o gás sai assim no raso, imagina com mais profundidade. Onde há fumaça, há fogo”, comemora Andrade.


A ANP deu prazo de seis anos para que as empresas descubram se há produção em escala comercial. O grupo argentino Oil M&S, que ficou com 21 áreas, planeja entregar até abril o plano de investimento, segundo seu representante no Brasil, Marcelo Ferreira. A empresa de terminais aero-rodoviários Tarmar também adquiriu um bloco e o consórcio formado por Orteng Equipamentos e Sistemas, Codemig, Delp Engenharia e Logos Engenharia ficou com outro.


O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, afirma que ainda se sabe pouco sobre a bacia porque as pesquisas foram iniciadas na época em que a estatal só tinha olhos para a Campos, no Estado do Rio – alavanca da auto-suficiência em petróleo, que será comemorada este ano. Dados concretos, só a partir da perfuração de dois poços, em parceria com a BG. (S.L./JB/JC)


Poço no quintal rende até R$ 30 mil



SANTA FÉ DE MINAS, MG – O proprietário da terra onde os poços são perfurados tem direito a receber de 0,5% a 1% da produção. Um poço no quintal pode render de R$ 1 mil a R$ 30 mil por mês, aproximadamente. Juvercino acredita que o patrão, se contemplado, repartirá a riqueza com os empregados da fazenda. O mesmo sentimento tem o aposentado Libânio de Souza. ”Estamos esperando pros filhos de Deus olhar e entender que nós temos que viver também”, diz o aposentado, que abriga mulher e sete filhos na casa improvisada de galhos e plástico. A família só quer o básico. Vive a cinco quilômetros do Rio São Francisco, mas sofre com a constante falta d’água. Mora em cima de uma promissora bacia de gás natural, mas não tem luz. Sem encanamento, o jeito é caminhar quilômetros para buscar água num córrego. Sem eletricidade, a saída é comer carne de sol.


Lenilza Alves Paulino Leal não perdeu a esperança, mas desconfia quando se fala em promessas de royalties. Ela acaba de mandar dois dos quatro filhos para Natal (RN). Os jovens partiram porque a água não chegou, depois de três anos de espera. Em “” />2002, a família inteira trocou a violência da periferia de Brasília pela tranqüilidade de Buritizeiro. Lenilza se mostra cética quanto às promessas das autoridades locais. O alívio da gente do sertão é que, diferentemente do que ocorre na exploração em alto-mar, em que os benefícios com os royalties dependem da competência de prefeituras e governos estaduais, os donos da terra têm direito à participação direta. Modesta, mas suficiente para lhes dar o básico. (S.L./JB/JC)

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