Sequelas da privataria


NOTAS BREVES E NÃO TÃO BREVES



PROPÓSITOS ESPECÍFICOS COMO SEQUELAS DA PRIVATARIA



A privataria deixou muitas seqüelas que não foram corrigidas após 2003, quando o setor elétrico passou para o modelo híbrido. Vejamos uma delas: a implementação de usinas hidrelétricas e seus sistemas de transmissão, geralmente curtos, por empresas específicas.



O relatório financeiro de 2008 de uma delas – Serra do Facão – informou ao público minoritário que o lê que a modalidade de gestão do empreendimento integral é o “TURN-KEY”. Entendam os menos chegados: em algum momento foi elaborada uma especificação geral da usina. Em passado não tão remoto, ironicamente, os críticos dessa modalidade afirmavam que essa especificação bastaria ter um texto ultra curto como “Uma usina hidrelétrica de X megawatt , das boas…”


Aquele relatório também informou ao público dados contábeis típicos de um empreendimento ainda não em operação comercial, além de outros dados importantes para a transparência do negócio, como a remuneração global anual da diretoria. Esse dado tem o mérito de deixar-nos tranqüilos ou pasmos.



Contudo, o mérito aqui vai tratar da seqüela da seqüela, isto é, vamos recordar tempos não tão antigos quando Furnas, empresa detentora de 49,5% do investimento em Serra do Facão, construiu sozinha entre 1957 e 1979 cerca de 7100 mW de usinas, 92% hidrelétricas de grande porte mais um extensíssimo sistema de transmissão em extra alta tensão. E nenhum desses empreendimentos foram na modalidade TURN-KEY salvo a nuclear Angra I que não está incluída nessa coleção e cujo turn-key causou muito sofrimento à empresa. Vale a pena recordar.



Uma equipe jovem da empresa elaborava e/ou geria as seguintes atividades:



– Acompanhamento da engenharia de projeto executivo de cada empreendimento e suas interfaces com o processo de especificação e aquisição de cada sistema, equipamento e material.



– Elaboração de especificações de cada sistema equipamento e material principal e de uso corrente.



– Gestão do processo de licitação e acompanhamento da fabricação de cada sistema, equipamento e material principal e de uso corrente.



– Gestão da inspeção e ensaios de fábrica de cada sistema, equipamento e material.



– Gestão do processo de licitação e acompanhamento dos serviços de construção e montagem de cada usina, subestação e linha de transmissão.



– Execução dos ensaios de comissionamento e colocação em operação de cada usina, subestação e linha de transmissão.



– Idem o que foi descrito acima para as atividades relativas a um grande sistema de telecomunições.



Ao confundir causa com efeito alguns racionalizadores equivocados afirmarão que essas empresas de obra única em “TURN-KEY” foram necessárias devido à destruição das equipes nas empresas de eletricidade públicas a partir de 1990 e como uma bola de neve ou avalanche, o falecimento de quase todas as grandes empresas privadas brasileiras de engenharia e consultoria construídas a duras penas a partir dos anos sessenta e que alcançaram, simultaneamente às empresas públicas, autonomia tecnológica muito antes do fim do século XX.



Olavo Cabral Ramos Filho


5/5/09






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