Térmica x Hídrica

A controvérsia térmica x hídrica é um falso dilema. A verdadeira polêmica, como sempre, é saber quem paga. No caso, trata-se do aumento de custos advindos da adoção de uma política de operação que privilegie térmicas inflexíveis. Quem vai arcar com esse custo extra? Com já alertamos aqui, a tarifa brasileira, mesmo sem imposto, quando considerada num contexto comparativo de uma cesta de produtos, está entre as mais caras do mundo. Ver estudo.


Infelizmente o ILUMINA, não foi convidado e nem pode comparecer por conta própria ao evento reportado na matéria abaixo. Se lá estivesse teria protestado contra essa “unanimidade” de que um sistema de base hídrica é, por definição, energeticamente não confiável. Um sistema suprido exclusivamente por hidroelétricas pode ter um nível de risco tão baixo quanto se queira. Basta que se mantenha um ritmo de investimentos em novas unidades sem se deixar enganar com aspectos conjunturais e passageiros dos caprichos meteorológicos. Não é porque “choveu muito” que não devemos nos preocupar com o suprimento até 2007, mas sim porque o mercado consumidor se retraiu e “engolimos” novas e caras energias do PPT.


Térmicas e hidráulicas sempre foram complementares no sistema brasileiro. Ao contrário do que se imagina, não temos um sistema hidroelétrico qualquer. Somos um sistema de reserva hídrica, o que é muito diferente. Entendendo esse detalhe, não é muito difícilcompreender que, ao atender parte do mercado com qualquer fonte energética inflexível, impõe-se também inflexibilidade à reserva hídrica. Ora, essa é por definição, a pior maneira de se valer da vantagem comparativa da reserva. Portanto, a solução chave do problema é flexibilidade. A adoção do bi-combustível pode ser a solução, mas, infelizmente não se está discutindo profunda e seriamente a questão do critério de garantia x custo. Leia também texto já publicado.






País vive dilema entre energia térmica e hídrica (Estado de São Paulo)
Governo quer ampliar o uso do gás natural, mas preço e infra-estrutura dificultam


ALAOR BARBOSA e ADRIANA CHIARINI





RIO – A questão do “ovo ou da galinha”, de quem veio primeiro, se aplica como uma luva à questão da expansão do uso do gás natural e das usinas térmicas no Brasil. Ontem, no Rio, o assunto voltou a ser debatido no I Seminário de Integração da Geração Hidrotérmica, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), sem que houvesse conclusão, a não ser sobre a “importância” da diversificação da matriz energética no Brasil, hoje muito dependente da energia hídrica.


Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Maurício Tolmasquim, a prioridade do governo é ampliar a capacidade de produção de eletricidade, com tarifas baixas. Como as térmicas têm custos mais altos – em torno de US$ 40 por megawatt/hora (MWh), ante US$ 30 das hidrelétricas -, o governo vai dar preferência a esse tipo de usina no leilão de “energia nova” programado para o fim deste ano.


Sem essa definição, a expansão da infra-estrutura para o aumento do uso do gás no País fica comprometida, segundo o gerente de gás natural da Petrobrás, João Eudes Tomas. E, sem garantia de suprimento, fica difícil projetar a construção de térmicas, admitiu Tomas. “Como ficarão os investimentos que realizarmos se não surgir o mercado?”. Segundo ele, a Petrobrás trabalha para elevar o consumo de gás da faixa de 30 milhões de metros cúbicos diários para 78 milhões em quatro anos. “Metade desse gás será para as térmicas. Se elas não vierem, o modelo não fecha”, observou.


O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, sugeriu que a Petrobrás crie uma “ONS do gás” para cuidar do despacho do gás natural. Ele contou que tem conversado sobre isso com o diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer. “Deve haver um despacho flexível de gás e capilaridade da rede de gás”, disse Santos.


Ele informou que a estatal se prepara para ter usinas térmicas que funcionam com gás ou óleo, “o que dá mais flexibilidade para nós na hora em que não houver água (para as hidrelétricas)”. Na avaliação de Tolmasquim, a solução da “charada do gás natural” passa pela criação de um mercado onde os grandes consumidores serão do tipo bicombustível.


O técnico do governo não quis se comprometer com nenhum tipo de “reserva de mercado” para as usinas térmicas movidas a gás natural, acreditando que isso não será necessário após a regulamentação do novo modelo do setor elétrico, a ser definido nos próximos 30 dias.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *