Tese controvertida

Retirada de hidrelétricas de leilão custou R$ 190 mi para consumidor

A interferência da Justiça, que resultou na retirada de duas usinas hidrelétricas do leilão de energia nova, realizada em dezembro passado, vai custar aos consumidores cerca de R$ 190 milhões, em valores de hoje, segundo estimativa do diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman.

Ele disse hoje que a ausência das usinas de Dardanelos (261 MW), no Mato Grosso, e Mauá (361 MW) no Paraná, elevou o custo da energia no leilão, já que, ao invés de contratar energia hidrelétrica (mais barata), as distribuidoras tiveram que comprar a energia térmica (mais cara), que era a disponível para o suprimento do mercado.

Segundo cálculos feitos pelo diretor-geral da Aneel, a substituição da energia que poderia ser fornecida pela usina de Dardanelos por energia térmica teria custado R$ 82 milhões aos consumidores, e de Mauá, R$ 108 milhões, considerando o preço médio da energia hídrica e térmica vendidas no leilão.

Ele destacou que, sob o ponto de vista puramente ambiental, não faria sentido trocar a energia hidrelétrica pela energia a óleo.

‘É preciso escolher entre o menor mal’, disse Kelman, ao comentar que a escolha entre a construção das usinas hidrelétricas e térmicas deve ser feito avaliando os impactos locais do empreendimento, mas também sob o efeito econômico.

Apesar da crítica às dificuldades ambientais na liberação de empreendimentos hidrelétricos, o diretor-geral da Aneel destacou que o sistema elétrico não deve ser baseado somente em energia hídrica.

Isso porque, segundo ele, o custo de manter empreendimentos térmicos como margem de segurança no sistema, para que sejam utilizados apenas em caso de necessidade, pode ser inferior ao de uma hidrelétrica.

Das 17 hidrelétricas que o governo pretendia leiloar em dezembro de 2005, apenas sete puderam entrar no leilão, seja pela ausência de licença ambiental no prazo previsto ou por decisões liminares da Justiça. Com isso, a oferta de energia hidrelétrica nova (em novos empreendimentos) caiu de aproximadamente 2,8 mil MW para cerca de 800 MW.

Ao todo, foram contratados no leilão 3.286 MW médios para fornecimento a partir de 2008, 2009 e 2010.
P.Zimmermann, Folha Online, JC


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