Brasil planeja exportar urânio enriquecido![]()
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, declarou ontem que o Brasil poderá ser um exportador de urânio enriquecido, para fins pacíficos, em dez anos. Para isso, no entanto, seriam necessárias alterações na Constituição, que proíbe a exportação de material nuclear.
A declaração foi feita ontem durante a posse do novo presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Odilon Marcuzzo, no Rio. Segundo Rezende, o comércio de material nuclear para produção de energia será cada vez mais necessário e lucrativo, diante das perspectivas futuras de outras fontes de energia, como o petróleo.
— Com o mercado do petróleo oscilando, muitas vezes de forma brusca, a energia nuclear é cada vez mais a melhor alternativa de renda. Com isso, esse será um mercado muito atrativo e o Brasil tem todas as condições de atendê-lo — disse ele.
O ministro enfatizou no entanto que o país não tem projetos para construir bomba atômica e nem vai exportar material para países que tenham este objetivo.
— A questão da bomba não está em pauta. Não se cogita sua produção. O Brasil continuará cumprindo seus compromissos internacionais e tem uma clara posição contra a corrida armamentista —disse ele.
Já em relação à construção da usina nuclear de Angra III, ele disse que o tema ainda vai ser analisado pelo Palácio do Planalto.
Dos 440 reatores nucleares no mundo, 260 utilizam urânio enriquecido, num mercado que movimenta US$ 12 bilhões por ano. Somente nove países, incluindo o Brasil, possuem a tecnologia de enriquecimento do urânio. Para fins pacíficos, o urânio 235 é enriquecido a 5%, enquanto que para construir a bomba é necessário enriquecê-lo a 95%.
— O mercado externo de urânio enriquecido é lucrativo e importante para o Brasil, que faz parte de um clube de elite por ter a tecnologia. Mas, antes disso, é preciso enriquecer urânio para o uso doméstico e construir a usina de Angra III para absorver a demanda — disse o professor do Programa de Energia Nuclear da Coppe/UFRJ Aquilino Serra Martinez.
Leonardo Valente O GLOBO
COMENTÁRIO
Até onde sabemos o atual ministro do MME manteve a decisão de sua antecessora de não prosseguir na construção da usina Angra III.
Quanto a exportar urânio enriquecido para fins pacíficos, notícia veiculada agora pelo ministro de Ciência e Tecnologia, é uma decisão que deverá ser discutida amplamente com a comunidade científica do país. Na última reunião da SBPC em Fortaleza, houve manifestações contra e a favor da idéia, sendo portanto uma questão polêmica. Há ainda a considerar, os aspectos legais e a repercussão internacional.