Gesel-UFRJ: leilões deverão ter usinas de papel
Térmicas a óleo podem não ser concretizadas por falta de financiamento. Grupo defende ainda avanços no planejamento
Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios
25/08/2009
Nos últimos dois anos, as térmicas a óleo combustível e diesel dominaram os leilões de energia nova. Isso gerou um grande desconforto no setor elétrico. Mas também pode provocar uma crise. Parte desses usinas podem não sair do papel. Para o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, as regras dos certames têm, inadvertidamente, privilegiando as térmicas. “[Isso] Mostra uma falha no mecanismo do leilão, o que está gerando usinas de papel, porque a maioria não deve sair”, disse Castro à Agência CanalEnergia, após participar do V Seminário – Geração de Energia e Desenvolvimento Sustentável, promovido pela Fundación Mapfre, em São Paulo. Para ele, as térmicas não devem sair do papel porque os grupos, que as comercializaram nos leilões, foram duramente atingidos pela crise financeira mundial e não terão capacidade de financiamento para a empreitada. “Os grupos não tem experiência no setor e foram duramente afetados pela crise e não terão como honrar os compromisso”, advertiu. A idéia aventada pela Empresa de Pesquisa Energética de levar essas térmicas, localizadas no Nordeste, para o Sul e Sudeste foi considerada boa pelo professor, mas de difícil realização. Isso porque lembra as usinas receberam incentivos fiscais para se estabelecer na região Nordeste. “E não se consegue trazer esses incentivos fiscais do Nordeste para o Sudeste e manter o preço dos leilões”, observou Castro. De acordo com o professor, as regras dos leilões ao privilegiar a modicidade a qualquer custo acaba dando espaço para as térmicas a óleo na ausência das hidrelétricas. Essas térmicas são comercializadas pelo Índice de Custo Benefício, que acaba sendo baixo porque a previsão de despacho também é baixa. “Isso porque quando uma térmica a óleo despacha ela custa mais do que o oferecido no leilão”, observou Castro. Ele defende que se mexa nas regras do leilão para abrir espaço para as fontes complementares renováveis, como PCHs, eólicas e biomassa. Para tanto, o especialista apóia mudanças no planejamento. Para que se passe a prevê a quantidade de cada fonte a ser licitada, incentivando assim outras alternativas energéticas. “O que está faltando é dizer os tipos de fontes a atenderem a demanda prevista. Isso seria importante para fortalecer esses empreendimentos dentro da matriz”, reforçou, acrescentando que o planejamento deve dizer quanto quer de cada fonte e onde serão localizadas. “É um planejamento mais determinístico”, destacou.