03/09/2001 – 08h33
Sem apoio, FHC deve adiar venda de geradoras
VIVALDO DE SOUSA
da Folha de S.Paulo , em Brasília
As geradoras de energia elétrica são as principais empresas do programa de privatização federal que ainda não foram vendidas. Dificilmente serão transferidas para o setor privado no governo Fernando Henrique Cardoso.
Já é consenso no governo, inclusive na área econômica, que há muitas resistências políticas à venda de Furnas, Eletronorte e Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Resistências que só aumentaram com a crise energética.
Não estão previstas receitas com a venda das geradoras nem na renovação do acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) até dezembro de 2002 nem no Orçamento de 2002. Com isso, o governo deixou claro aos seus aliados políticos que não vai insistir na venda dessas empresas.
As resistências à venda de Furnas, por exemplo, vêm tanto do presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (MG), do mesmo PSDB de FHC, quanto do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), um dos principais críticos de FHC.
No Senado, os opositores à venda das empresas elétricas aprovaram numa comissão projeto de lei para impedir a privatização. O governo espera evitar sua aprovação no plenário, mas saber que não conta com os votos de alguns senadores governistas.
Na avaliação do governo, não haverá dificuldades política interna para vender outras empresas, desde bancos estaduais federalizados a companhias de seguro ou linhas de transmissão de energia elétrica. Pode ocorrer a falta de interessados devido à redução do crescimento econômico nos países desenvolvidos e no Brasil.
Entre 1996, quando retomou o programa de privatização (PND), e 2001, governo federal arrecadou US$ 19,62 bilhões com a venda de 33 estatais. Outras empresas foram vendidas entre 1991 e 1994, quando a arrecadação somou US$ 8,6 bilhões.
No setor elétrico, a venda gerou uma receita de US$ 3,9 bilhões, segundos dados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Não estão incluídas nessas contas a receita obtida com as concessões na área de telefonia (US$ 28,79 bilhões).
Também foram feitas privatizações nos Estados. De 1991 até hoje foram obtidos US$ 27,91 bilhões na venda de empresas estaduais.