Quem tiver preguiça de ler as notícias abaixo é só dar uma passada de olhos nas cifras e frases em vermelho. Toda essa dinheirama é custo do modelo de mercado. E você vai pagar! Nada disso existiria sob o regime de serviço público. A Inglaterra já calculou qual foi o seu prejuízo com custos extras de desregulamentação até agora: US$ 1,1 bilhão . A New York Port Authority, estatal, foi obrigada a construir 10 usinas às pressas para enfrentar o aumento de consumo do verão pois o "mercado" estava de mau humor e nada fez. O nosso prejuízo será bem maior, pois afinal, somos um país rico!
A impressão que se tem é que lá, nos países que geram esses economistas neo-liberais, a "calça boca-de-sino" já saiu de moda. Aqui, estamos importando, usando, dizendo que quem não usa é batateiro… Crentes que estão abafando!
Dinheiro do BNDES começa a chegar às empresas (Estadão 22/02)
Banco libera R$ 800 milhões do total de R$ 7,3 bilhões previstos no acordo do Anexo 5
ALAOR BARBOSA
RIO – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberou cerca de R$ 800 milhões para as empresas do setor de energia elétrica afetadas pelo racionamento de energia. Segundo o diretor do banco, Octávio Lopes Castelo Branco, isso representa cerca de 80% da primeira parcela, calculada em R$ 1,1 bilhão. O empréstimo resulta do acordo negociado entre governo e cerca de 80 empresas do setor elétrico por causa das divergências em torno chamado "Anexo 5" dos contratos iniciais. Ao todo, a previsão oficial é liberar cerca de R$ 7,3 bilhões, sendo R$ 4,6 bilhões para as distribuidoras e R$ 2,2 bilhões para as geradoras. Esse recursos serão pagos pelo consumidor que terá um acréscimo na tarifa mensal de energia.
Em palestra realizada ontem na Federação das Indústria do Rio de Janeiro, Castelo Branco informou que o governo está trabalhando para fazer leilões da chamada "energia velha" das geradoras federais no segundo semestre deste ano. A previsão oficial é liberar 25% do mercado de energia a partir de 2003. As geradoras privadas e as controladas pelos governos estaduais (Copel, Cemig, Celesc) poderão negociar os seus contratos livremente, mas as grandes geradoras federais (Chesf, Furnas e Eletronorte) colocarão essa parcela de energia através de leilões. Outros 25% da energia dessas empresas serão liberados em 2004 (elevando o total para 50%), outros 25% em 2005 até atingir os 100% em 2006. Segundo Castelo Branco, a determinação para que os leilões ocorram no segundo semestre é para que o mercado inicie as suas operações em janeiro já dentro das novas regras.
Na palestra, Castelo Branco reiterou que a intenção oficial é mudar o modelo energético brasileiro de um sistema centralizado para um modelo de mercado livre. Entre as mudanças, o diretor do BNDES citou a fórmula de cálculo dos custos para a geração de energia no Brasil, o chamado Valor Normativo (VN).
Atualmente a referência de custos é calculada pela Aneel, que determina o Valor Normativo ( VN) com base na fonte de energia. Por esses cálculos, o VN de uma usina termoelétrica movida a gás natural tem um custo em torno de US$ 37 o MWh, bem acima das tarifas cobradas pelas grandes geradoras federais. A tarifa de Itaipu, por exemplo, está em torno de US$ 22 e a de Furnas ligeiramente acima desse patamar.
Já as termoelétricas movidas a carvão nacional têm VN de US$ 38,13, as pequenas centras hidrelétricas (PCHs) de US$ 40,39 enquanto as unidades de energia eólica têm VN de US$ 57,15 o MWh. Na avaliação de Castelo Branco, o ideal é que esses valores deixem de ser fixados por um órgão central, passando a refletir os custos reais das usinas efetivamente instaladas pelo setor privado. Castelo Branco não explicitou quando essa transição será feita. (AE)
Pagamento das térmicas começa logo (Estadão 22/02)
Usinas merchants venderam energia entre novembro e fevereiro
RENÉE PEREIRA
A produção das usinas térmicas merchants – que vendem energia no mercado à vista (spot) – poderá custar aos cofres do governo quase R$ 1 bilhão enquanto o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) não voltar a funcionar plenamente. A expectativa é de que o montante seja liberado ainda hoje para que a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE) possa efetuar as assinaturas de contratos com as usinas térmicas, em funcionamento desde novembro, mas sem receber nada até agora.
Do total a ser liberado, cerca de R$ 300 milhões serão destinados ao pagamento da energia comercializada no período entre novembro e fevereiro deste ano pelas usinas Macaé Merchant, da El Paso; Eletrobolt, da Enron; Juiz de Fora, da Cataguases Leopoldina; e Fafen, da EDP. O restante será usado como reserva para possíveis eventualidades que possam ocorrer durante o ano, como queda no nível dos reservatórios.
Mas com o fim do racionamento, essas usinas deverão parar de produzir continuamente. A explicação do presidente da CBEE, Mário Miranda, é de que as famosas merchants somente geram energia em cenários de desequilíbrios, explorando a alta de preço do mercado atacadista. Como o preço do MAE caiu de R$ 684 para R$ 5 o megawatt/hora (mWh), a geração de energia não seria vantajosa para os empreendedores. Essa queda ocorreu porque, de acordo com os números do governo, a situação do setor elétrico está melhor. A previsão é de que a partir de março não haverá necessidade de essas usinas serem acionadas, afirma Miranda.
Mais cauteloso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) diz que essas usinas terão de ser utilizadas para garantir a segurança da rede. Além disso, a partir do próximo mês, provavelmente, a usina nuclear de Angra 1 entrará em manutenção durante cerca de 50 dias, deixando de produzir 600 MW de potência. Pelo menos as usinas do Rio, Macaé Merchant e Eletrobolt, poderão ser requisitadas para gerar neste período, afirmam técnicos do ONS.
Para isso, porém, o governo terá de tornar mais atrativo o preço pago pela energia, como ocorre hoje. Embora o preço do MAE esteja cotado em R$ 5, as merchants recebem um valor maior pela sua produção. Segundo técnicos, a diferença refere-se ao custo do combustível, que é o gás natural. A El Paso, por exemplo, já afirmou que a R$ 5 o MWh, é impossível colocar uma usina para funcionar.
Segundo técnicos do ONS, se as merchants não produzirem, a solução será recorrer às térmicas emergenciais, cujo preço do MWh é muito mais elevado.
Engana-se, porém, quem imagina que esse montante não chegará aos bolsos do consumidor. Quando o MAE voltar a funcionar, as distribuidoras pagarão o valor para a CBEE, que tem os contratos de recebíveis das usinas, e terão a possibilidade de repassar o montante para as tarifas