A Bolsa ou a Dívida
A AES, não satisfeita de ter abalado a saúde financeira do BNDES, único banco de fomento brasileiro, que usa dinheiro do trabalhador brasileiro, pretende um aumento de 34,46% nas contas de luz da Eletropaulo. Sabemos que o país já foi vítima de várias espoliações internacionais e, em nome da governabilidade ou por covardia, mansamente aceitou as humilhações. Mas, aqui entre nós esse caso ultrapassa todos os escândalos. Não bastasse o que está acontecendo, a Eletropaulo foi uma das distribuidoras que mais desempregou trabalhadores desde a privatização! Resumindo, o Fundo de Amparo ao Trabalhador foi dado a uma multinacional agir contra o trabalhador em uma metrópole carente de empregos e atolada de problemas sociais e que, ainda por cima, não paga o que deve! A ANEEL nega a relação entre o aumento pretendido e a questão com o BNDES, mas a sociedade brasileira precisa estar atenta para o dilema que está por trás dessa confusão. A AES pode estar dizendo: Ou pagam mais ou não pago!
Ora, um assalto de cada vez! Por favor!
Aneel nega reajuste pedido pela Eletropaulo (ESP 19/06)
Agência diz que aumento de 34,46% pedido pela distribuidora não se justifica
EUGÊNIO MELLONI
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não reconheceu no processo de revisão tarifária periódica da AES Eletropaulo custos reivindicados pela distribuidora paulista, que resultariam em reajuste quase 25 pontos porcentuais acima dos 9,62% determinados preliminarmente pelo órgão regulador. Esse índice é o menor definido até o momento pela Aneel para as 11 companhias que já passaram pelo processo de revisão das tarifas este ano.
"Se fôssemos definir um reajuste com base nas reivindicações da empresa, o reposicionamento tarifário da AES Eletropaulo seria de 34,46%", disse o superintendente de Regulação Econômica da Aneel, César Antônio Gonçalves, durante a audiência pública de revisão tarifária da companhia, realizada ontem no Instituto de Engenharia, na capital paulista.
O índice de reajuste de 9,62%, determinado pela Aneel está muito abaixo do necessário para manter o equilíbrio econômico e financeiro da companhia, alertou a vice-presidente de Relações Institucionais da distribuidora paulista, Andréa Ruschmann. "Em função das distorções que ocorrem nesse processo, a taxa de remuneração de 11,26% sobre a base, como diz a Aneel, acaba sendo de apenas 5,28%, o que nos leva a temer pela saúde financeira da empresa", disse a executiva.
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Critérios técnicos – O diretor da Aneel, Paulo Pedrosa, negou que a definição de um índice de reajuste tão baixo para a empresa tivesse sido a influenciada pela inadimplência do grupo americano AES, que controla a distribuidora paulista, junto ao BNDES. ….
BNDES tem prejuízo de R$ 1 bilhão até abril com inadimplência da AES (Globo 19/06)
Mirelle de França e Maria Fernanda Delmas*
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acumulou prejuízo de R$ 1,059 bilhão nos primeiros quatro meses do ano. O aumento no volume de provisões para créditos duvidosos (montante reservado para cobrir inadimplência de tomadores de empréstimos) do grupo americano AES provocou as perdas, além de despesas com câmbio. Apenas em relação ao primeiro trimestre deste ano, o prejuízo cresceu R$ 689 milhões.
– Os resultados negativos não são uma surpresa. Ao longo de 2003 o banco deve apresentar perdas devido às provisões realizadas. Mas os prejuízos não terão conseqüências nos financiamentos do banco – disse o superintendente da área financeira, José Roberto Fiorêncio, ao ressaltar que o calote da AES também provocou uma taxa recorde de inadimplência, que saltou no primeiro trimestre de 0,5%, em 2002, para 4,3% sobre o volume da carteira.
Diretor critica negociações de administrações anteriores
Nos três primeiros meses do ano, o aumento no volume de provisões foi da ordem de R$ 930 milhões, dos quais R$ 686 milhões referem-se apenas à AES Elpa, uma das subsidiárias do grupo americano. Esse total, mais R$ 244 milhões relativos a despesas com câmbio (resultado da valorização do real sobre as moedas estrangeiras que compõem os ativos do BNDES) impediram que o banco registrasse um lucro de R$ 800 milhões no trimestre, de acordo com Fiorêncio.
Em 31 de março, a provisão para risco de crédito atingiu um total de R$ 5,9 bilhões. E esse valor tende a aumentar. Isso porque, à medida que cresce o risco de inadimplência da AES, uma resolução do Banco Central (BC) obriga o BNDES a ampliar o percentual a ser provisionado sobre o valor da dívida. Assim, ainda no primeiro semestre, o valor total pode chegar US$ 1,2 bilhão, o equivalente aos débitos da companhia americana.
O diretor financeiro do banco, Roberto Timótheo da Costa, afirmou que os resultados negativos são conseqüência de "uma colheita que foi plantada anteriormente", referindo-se às negociações das gestões anteriores com a AES.
– Para sumir com isso (o prejuízo) do balanço, bastaria repactuar essa dívida. Todos ficariam adimplentes e o banco ficaria com resultado positivo, como sempre foi feito – afirmou Timótheo.
Instituição afirma que FMI restringe expansão (Folha 19/06)
DA SUCURSAL DO RIO
O diretor da Área Financeira do BNDES, Roberto Timótheo da Costa, defendeu ontem a revisão do acordo do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional) como alternativa para permitir ao banco emprestar recursos ao setor público e viabilizar a retomada do crescimento pela via dos investimentos em infra-estrutura.
"O banco [BNDES] acumula hoje duas situações recordes: recorde de caixa [R$ 10 bilhões, segundo ele] e recorde de prejuízo [R$ 1,059 bilhão, de janeiro a abril]. Não temos demanda", afirmou. Para Costa, terá de ser o setor público a "pedalar primeiro" a bicicleta da retomada do desenvolvimento.
"As restrições hoje são enormes. Nós não conseguimos emprestar dinheiro para o setor público", afirmou. Ao ser questionado se para que isso ocorresse seria necessário rever o acordo com o FMI, que põe os investimentos estatais na conta do déficit público, Costa respondeu de maneira enfática: "Precisamos colocar essa questão na mesa; precisamos colocar essa questão na mesa".