É preciso deixar claro que com todas as térmicas que estão anunciadas e todas as vantagens prometidas, mesmo assim, o risco de déficit no período 2000 – 2002 permanesce muito alto. Ver gráfico …



É preciso deixar claro que com todas as térmicas que estão anunciadas e todas as vantagens prometidas, mesmo assim, o risco de déficit no período 2000 – 2002 permanesce muito alto. Ver gráfico do plano decenal de geração 2000-2009


JB 07/06/2000

Horário de verão contra racionamento

Ministro das Minas e Energia anuncia plano para economizar eletricidade e garantir abastecimento do próximo ano

MÁRCIO PACELLI


BRASÍLIA – O governo vai repetir a tática do ano passado e antecipar o horário de verão em quase 60 dias. Com isso, os relógios deverão ser adiantados em uma hora já em outubro, informou ontem o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Com isso, espera-se que seja afastada a possibilidade de haver racionamento de energia elétrica ao longo de 2001, na medida que a economia projetada é de pelo menos 2.154 megawatts por hora, entre 18h e 20h, no período especial – mesma conseguida no ano passado.


Em 1999, a economia foi suficiente para abastecer durante duas horas uma cidade do porte de Belo Horizonte, com cerca de três milhões de habitantes. O remanejamento do consumo de energia correspondeu ainda a uma redução de 5,2% nas horas de pico. O horário de verão 1999/2000 ganhou duas semanas a mais e vigorou por 147 dias. Com isso, pelas contas do governo, houve ainda economia de R$ 200 milhões, em média, sobre os preços das tarifas do setor. Além disso, o nível dos reservatórios foi preservado em 1%.


Termelétricas – Rodolpho Tourinho anunciou também outras duas medidas emergenciais que poderão reverter o risco de blecautes ou racionamento no ano que vem. A primeira delas, a antecipação de investimentos de pelo menos dez usinas termelétricas movidas a gás natural – que só seriam concluídas em 2002 – vai agregar quase 2.000 megawatts ao sistema interligado do país. A outra iniciativa emergencial permitirá as distribuidoras gerar mais energia do que os 30% a que hoje estão limitadas.


O governo ainda não sabe quanto essas concessionárias vão poder oferecer ao parque gerador brasileiro, mas abriu exceção ao oferecer-lhes um estímulo a mais para gerar mais energia em 2001 e 2002. A idéia da medida, que só vale para usinas novas, é dar aos empreendedores o direito de explorar por 10 anos a venda da energia das hidrelétricas que entrarem no sistema até o final de 2001. Os projetos inaugurados em 2002, até junho ou até dezembro, teriam o prazo do benefício reduzido para oito e cinco anos, respectivamente, explicou Tourinho.


Preocupado com o noticiário em torno da situação precária em que chegou o abastecimento de energia no país, o ministro deu longa entrevista ontem e detalhou as providências que o governo já tomou este ano e ainda vem tomando para afastar o risco de apagões indesejáveis, principalmente no horário da maior demanda, o "pico" entre 18 e 20 horas. Tourinho garantiu que não há qualquer risco de racionamento de energia no país. "Tomamos todas as providências para que em 2000, 2001 e 2002 não tenhamos motivos de problemas", afirmou.


Horário de verão – Tourinho negou que o governo tenha procurado os grandes consumidores de energia para negociar o controle do consumo. Disse que isso não foi e nem será feito. A única intervenção que o governo admite fazer, disse, é a antecipação do horário de verão no mês de outubro, como foi feito em 1999. ïïNão há nenhum controle de consumo. O que existe é o gerenciamento na ponta", afirmou. Ele reconheceu, porém, que eventualmente, "se tiver quer fazer alguma coisa", será no período de 10 minutos entre as 18h e 18h20, o intervalo mais crítico. "Mas não tem nenhuma previsão de que isso seja feito", assegurou. O ministro lembrou que, para o ano que vem, além das medidas já adotadas, resta ao governo prestar atenção ao quadro hidrológico.

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