JB 14/11/98
Divisão de Furnas gera protestos
ANA CRISTINA DUARTE
O presidente do Clube de Engenharia, Agostinho Guerreiro, disse ontem que a divisão do ativo de Furnas – a ser privatizado no primeiro semestre do próximo ano – deverá aumentar o preço das tarifas de energia elétrica, além do número de blecautes em todo o estado do Rio. Em encontro realizado na sede do Clube, na capital carioca, Agostinho defendeu uma revisão no plano do governo de desmembrar as Centrais Elétricas em dois grandes blocos. A idéia é manter as usinas integradas na Bacia do Rio Grande, na divisa com Goiás e próxima a São Paulo.
Para Agostinho, a fragmentação de Furnas não só deixaria os cerca de 4 mil funcionários da sede da empresa na cidade deslocados, como acabaria por prejudicar o desenvolvimento do estado. As Centrais Elétricas de Furnas respondem hoje por cerca de R$ 6 bilhões do PIB estadual, além de contabilizar 20 mil empregos diretos e indiretos. "Se o governo levar esse plano adiante, mesmo com o sistema ainda interligado, o consumidor vai arcar com taxas diferentes. A geração de energia ficará extremamente mais cara", disse.
Atualmente o preço da energia fornecida por Furnas está em R$ 33/MWh. A Light repassa essa mesma energia aos consumidores a R$ 135/MWh. "Não sou contra a privatização, mas contra o desmembramento para privatizar", afirmou Agostinho. "A falta de regulamentação do setor é um das causas dos tradicionais apagões do verão. A venda de Furnas aos pedaços repetirá o fenômeno, pois a regulamentação da energia não está completa."
Presente ao encontro, o deputado Miro Teixeira (PDT) citou as gravações clandestinas no BNDES, relativas à compra do Sistema Telebrás, para criticar o atual modelo de privatização do governo. Miro garantiu que o PDT pretende instaurar inquérito público a fim de verificar denúncias nas privatizações. "Vamos trabalhar com uma medida cautelar para suspender todos os processos feitos e que estão por começar.", disse.