Termelétricas saem do papel
Três usinas a gás serão construídas em São Paulo, gerando 2.300 megaWatts
MAIR PENA NETO
O projeto de usinas termelétricas movidas a gás para aumentar a geração de energia no país e dar mais confiabilidade ao sistema começa a sair do papel amanhã, com a assinatura de contratos para o início da construção de três usinas em São Paulo. Duas com participação da Gaspetro – Cubatão e Campinas -, com início de operação previsto para 2001, e outra totalmente privada, a ser construída pela AES, em Santa Branca, e que começa a funcionar em 2002.
A termelétrica de Cubatão nasce de uma parceria da Gaspetro com a empresa americana Sithe e a trading japonesa Marubeni. Em sua primeira fase, a usina vai gerar 240 mW e chegará a 900 mW em 2001. A Térmica Planalto Paulista, que fica ao lado da Refinaria de Paulínea, vai gerar 600 mW, e será construída por um consórcio formado pela Gaspetro, Cesp, OPP Petroquímica, Ultragás Participações, Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Intergem do Brasil, o grupo americano FPL e Shell Brasil. A Usina de Santa Branca, da AES, tem previsão de 1.000 mW.
ABC – A assinatura dos contratos terá a presença do presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul; do governador de São Paulo, Mário Covas; do ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e do presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. Nos dois projetos de que participa, a Gaspetro é minoritária. O papel da subsidiária da Petrobras é fazer com que os negócios aconteçam.
No próximo dia 22, outras quatro termelétricas, que deverão ser instaladas na região do ABC paulista, terão seus projetos anunciados por Covas e pelo ministro Tourinho. As usinas do ABC deverão gerar 4.000 megaWatts. Todos os projetos terão a participação da iniciativa privada.
O governo procura acelerar o início da construção de mais quatro termelétricas a gás consideradas emergenciais para suprir o déficit de energia do país. São elas a do Norte Fluminense, em Macaé; a da Bahia, na Refinaria Landulpho Alves; a de Pernambuco, em Suape, e a do Ceará, em Pecem, na Grande Fortaleza, que pode vir a ser construída pela Petrobras em parceria com a Texaco. As termelétricas da Bahia e de Pernambuco já tiveram protocolos de parcerias assinados e o objetivo do governo é que as quatro usinas entrem em operação até o final de 2001.
Diesel – Atualmente, existem no Brasil duas térmicas operando a diesel. Uma em Campo Grande, de 40 mW, que deve subir em breve para 80 mW, e outra em Cuiabá. Uma terceira termelétrica está sendo construída em Uruguaiana (RS), que até dezembro começa a pré-operação a diesel. Todas devem ser transformadas para gás em curto prazo.
A de Uruguaiana depende da construção de um trecho de gasoduto, de Aldeia Brasileira a Uruguaiana, que tem previsão de estar operando em junho de 2000. As do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm condições de entrar em operação ainda este ano. A de Campo Grande depende de uma linha de 9 km que a MS Gás já pôs em licitação para construção. A de Cuiabá depende de um gasoduto da Bolívia a Cuiabá, um projeto privado, da Enron.
A Comgás, companhia distribuidora de São Paulo, comprada pela British Gas, está negociando o fornecimento de gás a uma térmica dentro da capital paulista, chamada Piratininga. Essa térmica queima óleo combustível e está com sérios problemas ambientais.
A conversão de usinas térmicas a diesel para gás é um processo simples. A mudança é basicamente no sistema de queima, o que não exige um investimento grande e se faz em pouco tempo. A transformação de uma indústria que utiliza outras fontes energéticas, como o óleo combustível, também é barata. É preciso substituir as linhas e o queimador. O gás ainda tem a vantagem de não exigir armazenamento. A empresa deixa de ter dinheiro parado com óleo armazenado, pois recebe o gás on line.
O objetivo do governo é que o gás natural passe a representar 12% da matriz energética brasileira até 2010. Além do aumento da base de oferta, o gás garantiria maior segurança do sistema de geração de energia pela proximidade dos centros de carga.
Covas inaugura duas hidrelétricasMAURÍCIO PALHARES Agência JB
CÂNDIDO MOTA, SP – O governador de São Paulo, Mário Covas, inaugurou ontem as usinas hidrelétricas de Canoas I e II, integrantes da Empresa de Geração do Paranapanema, que irá a leilão no próximo dia 28. Juntas, as duas usinas produzirão 154 megaWatts. Iniciadas em 1992, as obras ficaram paradas por dois anos, sendo retomadas em 1995 apenas com investimentos da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, que receberá 50,3% da energia produzida por Canoas nos próximos 25 anos. O restante da produção terá como destino o mercado atacadista.
O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que até a paralisação da obra, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) havia gasto no projeto cerca de R$ 500 milhões. Para concluir a obra, a CBA desembolsou outros R$ 203 milhões sem contar com o auxílio do estado.
O presidente do grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, disse que a energia que a CBA receberá por ter concluído o projeto será empregado na produção de alumínio. "É um suicídio produzir alumínio sem ter uma fonte própria de energia", afirmou o empresário.
O secretário de Energia do Ministério das Minas e Energia, Benedito Aparecido Carraro, afirmou que a demanda por energia no país cresce 4.300 megaWatts por ano, o que faz os investimentos necessários no setor chegarem a R$ 6 bilhões anuais. "A participação da iniciativa privada, que vem crescendo nos últimos anos, será fundamental para o crescimento que o setor energético necessita", afirmou.
Mas Antônio Ermírio afirmou que será difícil a Votorantim, por meio do consórcio VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), vencer a disputa pela Empresa de Geração do Paranapanema. "Os grupos estrangeiros vão entrar pesado. Somos muito pequenos perto deles em matéria de capital".