JB 14/3/99 Atraso em obra agravou blecaute MÔNICA TAVARES BRASÍLIA – Se as obras de construção de algumas linhas de transmissão e de usinas geradoras de energia estivessem concluídas, o blecaute …



JB 14/3/99

Atraso em obra agravou blecaute

MÔNICA TAVARES


BRASÍLIA – Se as obras de construção de algumas linhas de transmissão e de usinas geradoras de energia

estivessem concluídas, o blecaute poderia ter durado menos tempo. O apagão atingiu nove estados e o Distrito

Federal, na última quinta-feira à noite, e se estendeu pela madrugada de sexta-feira. A afirmação foi feita

pelo presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos. "Com mais linhas de

transmissão a energia seria restabelecida mais depressa", explicou.


Para ele, quanto mais linhas de transmissão tiver um sistema interligado, como é o brasileiro, mais seguro e

confiável se torna. Ele lembrou que o Rio de Janeiro é muito dependente de fontes externas de energia,

principalmente do fornecimento das usinas geradoras de Furnas e de Itaipu. "Somente 30% do consumo do estado

é gerado localmente." As principais geradoras são a de Santa Cruz, de Angra I e as usinas da Light, no Rio

Paraíba do Sul.


O presidente do ONS admitiu ainda que os projetos de transmissão estão atrasados de um ano a um ano e meio,

por falta de investimentos. Com a redução de investimentos, as empresas tiveram que destinar

prioritariamente os recursos para as obras de geração e para as linhas essenciais de transmissão. Santos

reconheceu ainda que se o terceiro circuito de Itaipu estivesse concluído os prejuízos poderiam ter sido menores.

Esse mês, está entrando em operação a primeira parte desse circuito. O segundo trecho, estava previsto para

2000, já foi antecipado para novembro.


O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, explicou que a decisão de privatizar o sistema de

transmissão do governo, que não estava previsto inicialmente, foi tomada porque a União não tem capacidade

para investir nessa área. "O governo não vai ter condições de bancar os investimentos, a menos que sacrifique

outras áreas", enfatizou.


Os investimentos previstos no setor de energia elétrica nos próximos quatro anos são de R$ 30 bilhões. Esse ano,

deverão chegar a R$ 8,6 bilhões, sendo R$ 2,6 bilhões para a transmissão, R$ 3,8 bilhões em geração e R$ 1,6

bilhão na distribuição. Com os cortes feitos pelo governo ano passado por causa da crise russa, os investimentos

da Eletrobrás para 1998, que eram de R$ 3,6 bilhões, caíram para R$ 2,8 bilhões.

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