Nota Oficial
O valor anunciado pelo governo do Estado do Paraná para a venda da Copel confirma que há uma grande negociata em curso ou no mínimo uma jogada condenável para se obter ágios e comissões maiores. A escandalosa subvalorização explica o motivo de tanta pressa em liquidar a empresa de energia dos paranaenses. Explica também a razão de tamanha indiferença com a vontade de 93% da população, a violência policial empregada contra os cidadãos, e a forma muito questionável como o governo conseguiu os 27 votos na Assembléia Legislativa para considerar o projeto de iniciativa popular inconstitucional.
A subvalorização está caracterizada por vários aspectos, em especial os aqui enumerados:
01 – O custo internacionalmente aceito de obras de geração de energia oscila entre 1,2 e 1,5 milhão de dólares por MW instalado. A Copel possui 4.545 MW em usinas, que utilizando como referência o valor de 1,4 milhão de dólares, e considerando apenas o parque gerador da Copel, estaria avaliado em torno de 6,36 bilhões de dólares, ou seja, 16,1 bilhões de reais. Só na geração, o valor total propalado pelo governo está subavaliado em 60%. A este valor, seria preciso ainda adicionar o valor de 158,4mil quilômetros de linhas de transmissão e distribuição, suficientes para dar 4 votas ao redor da Terra, além de 350 subestações, com uma potência instalada de 18,7 mil MVA (Mega Volt Ampere);
02 – Apenas nos últimos 5 anos, segundo dados oficiais enviados pelo governo do estado ao Sindicato dos Engenheiros, a Copel investiu 7,2 bilhões de reais. Ou seja, se o valor de 10,5 bilhões de reais proposto fosse correto, antes de 1995 a Copel só valeria 3,5 bilhões de reais?!. O lucro da empresa no ano passado foi de 430 milhões de reais, 10% do preço mínimo (4,3 bilhões) anunciado pelo governo Lerner;
03 – Os engenheiros do Paraná, através do seu Sindicato, avaliando em profundidade e à luz da técnica e dos bens físicos da Copel, chegaram ao valor real de 25,5 bilhões de reais. Devendo a este valor adicionar cerca de 40%, segundo parâmetros internacionais de avaliação de ativos intangíveis, tais como marca, tecnologia e mercado (Em junho de 1999, especialista internacional neste tipo de avaliação, em Curitiba, a convite da Federação das Indústrias, reforçava tal parâmetro);
04 – A tudo isto acrescente-se ainda a tendência à elevação do custo da energia, em função da atual crise de oferta, cujo efeito inegável será aumentar o valor de venda de uma empresa como a Copel, caso vendê-la fosse do interesse público;
05 – A crise de energia demonstrou que a falta de investimentos no setor elétrico faz a economia regredir e causa recessão e desemprego. Quanto vale em termos humanos e sociais uma empresa como a Copel?;
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel conclama a sociedade paranaense para ajudar a desmascarar a negociata tramada pelo governo de Jaime Lerner, difundindo os fatos narrados acima, cobrando de seus representantes na Assembléia o apoio à tramitação do Projeto de Plebiscito, e a continuidade das diversas lutas que continuaremos a desenvolver para barrar esse crime lesa-pátria que o governo do estado tenta.
Curitiba, 06 de setembro de 2001.
Fórum Popular Contra a Venda da Copel
http://www.acopelenossa.com.br
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