folha de são paulo 11/04/99 OPOSIÇÃO Privatização "só com tropas federais", diz Itamar afirma que não venderá Cemig CRISTINA GRILLO da Sucursal do Rio O governador de M …



folha de são paulo 11/04/99



OPOSIÇÃO

Privatização "só com tropas federais", diz

Itamar afirma que não venderá Cemig

CRISTINA GRILLO

da Sucursal do Rio


O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), disse ontem que a

Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais) só será privatizada "se o

governo federal usar tropas federais".

"Lá no território mineiro, só com as tropas federais, e elas terão

dificuldade, porque nós não vamos permitir. Vamos lutar não apenas

contra a privatização da Cemig, mas juntar nossas forças contra a

privatização do sistema energético brasileiro, a começar por Furnas",

afirmou o ex-presidente em palestra para advogados no IAB (Instituto

dos Advogados do Brasil, no centro do Rio).

Durante a palestra, Itamar leu trechos do acordo assinado entre o Brasil

e o FMI (Fundo Monetário Internacional). Em um dos trechos lidos, há

referência ao fato de que as empresas estaduais de energia deverão ser

privatizadas ainda em 1999.

Para o ex-presidente, esse item "quebra a ordem constitucional", o que

poderia levar a "uma resistência com consequências imprevisíveis".

"Se existe a lei e o direito, não podemos permitir que o senhor

presidente da República venha a afrontar a Constituição Federal e

queira avançar sobre Estados federados."

Após a palestra, Itamar disse que usou o termo "resistir" no "sentido

democrático". "Mas, se houver uma intenção do governo de nos forçar

a cumprir o que ele assinou, fugindo da Constituição, teremos que

resistir seja de que maneira for."

A "resistência democrática", explicou o governador, começa com a

criação de uma comissão que será presidida pelo advogado José de

Castro, com o objetivo de estudar medidas jurídicas para barrar as

privatizações do setor energético. Caso a "resistência democrática" não

seja suficiente, Itamar disse que o "confronto" será inevitável.

"O governo vai querer que nós privatizemos? Nós vamos dizer que

não. No outro governo (de Eduardo Azeredo, do PSDB), eles quiseram

privatizar os bancos estaduais, e o governador concordou; de uma

maneira errada, mas concordou. Eu, governador, não concordo com a

privatização da Cemig. Então, vai haver o confronto. De minha livre e

espontânea vontade, não permitirei, e isso vai ser complicado."

Questionado sobre o motivo de não ter comparecido à reunião de

governadores de oposição, ontem em Alagoas, Itamar disse que não foi

por não ser um governador de oposição.

"Infelizmente meu partido é da base de sustentação à política do senhor

presidente. Se eu fosse dirigente maior, não daria mais sustentação à

política econômica e social do governo. Mas, como não comando o

partido, eu tenho que respeitar até quando eu entender que deva

respeitar", afirmou.

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