Menem estuda cancelar concessão de energética
Folha de São Paulo 22/02/99
AP
De Buenos Aires
O governo de presidente Carlos Menem, que privatizou todos os serviços públicos a partir de 1989, estuda agora a possibilidade de cancelar a concessão da empresa de eletricidade Edesur, de capital chileno, que não conseguiu solucionar um grande corte de energia que começou há mais de sete dias, disse um funcionário de alto escalão.
A falha da energia provocou também uma onda de críticas aos organismos estatais encarregados de supervisionar o funcionamento dos serviços privatizados. Houve acusações de que atendem mais aos interesses das empresas do que às necessidades dos usuários.
Menem passou para a iniciativa privada os serviços de telefone, eletricidade, gás, água, ferrovia e metrô. Também vendeu a empresa aérea e a companhia petrolífera do governo.
O presidente da Agência Nacional Reguladora da Eletricidade, Juan Leguisa, disse no domingo à Rádio América que a Edesur "já incorreu em descumprimento grave do contrato" quando não conseguiu restabelecer o serviço à meia-noite de sexta-feira, prazo dado por intimação do governo. "Creio que neste fim de semana serão dados os passos finais para a última penalidade", que seria a retirada da concessão.
A Edesur, a partir da segunda-feira passada, anunciou diversas vezes que o serviço elétrico estava para ser normalizado. Com prudência maior, agora garante que isso pode ocorrer na quarta-feira. Seus técnicos fracassaram, em duas ocasiões, em restabelecer as conexões cortadas pelo incêndio que destruiu no domingo da semana passada um cabo de alta tensão numa de suas principais estações subterrâneas.
O corte de energia coincidiu com dias de muito calor, com temperaturas que ultrapassaram diariamente os 35 graus Celsius. A falta de energia deixou também sem água boa parte da zona sul de Buenos Aires, causou graves prejuízos aos comerciantes da região e sérios problemas no trânsito, quando o sistema de sinais luminosos deixou de funcionar.