Furnas (ainda estatal, lógico) banca risco cambial em usina
Para atrair investidores em projeto de ampliação de Santa Cruz, empresa garante compensar variação do dólar
Furnas banca risco cambial em usina
GUILHERME BARROS EDITOR DO PAINEL S/A
Para atrair investidores privados ao projeto de ampliação da usina termelétrica de Santa Cruz, Furnas vai garantir o risco da variação cambial pela importação de todo o gás necessário ao investimento, mesmo sem ter ainda uma definição do governo de como se dará o processo de repasse da variação do dólar. A usina de Santa Cruz é uma das 12 termelétricas que constam no programa emergencial do Ministério de Minas e Energia e devem começar a operar até dezembro de 2001. Em razão da decisão de Furnas de garantir o risco cambial pela compra do gás, cinco empresas se interessaram em se tornar sócias da empresa no projeto de ampliação de Santa Cruz. São elas: Shell, Interoil, British Petroleum e Tractbel. O objetivo do governo, com essa decisão, é acelerar ao máximo o início do investimento para a ampliação do projeto e garantir a conclusão do programa emergencial das termelétricas em 2001. O que está em jogo é a ameaça de desabastecimento de energia nos próximos anos. Santa Cruz é uma usina a óleo com capacidade instalada de 600 megawatts. O objetivo é transformá-la numa usina a gás com capacidade para gerar 1.150 megawatts a partir de dezembro do ano que vem.
Prazos apertados
Para conseguir concluir o projeto de Santa Cruz, Furnas também estabeleceu prazos apertados no processo de escolha do sócio. O edital de convocação dos interessados foi publicado no dia 2 de outubro. Em menos de duas semanas, foram selecionados os cinco pré-qualificados. Ontem, houve uma reunião dos interessados com o departamento técnico de Furnas para a discussão dos termos do projeto. As propostas terão que ser entregues até o dia 31 e, em 7 de novembro, Furnas anuncia o resultado. No dia seguinte, o contrato será assinado. Trata-se de um recorde num processo com essas características. Se não apressar com o projeto, dificilmente Furnas conseguirá cumprir o prazo de até 31 de dezembro do ano que vem. (Folha de S. Paulo 20/10)