Pingo nos Is. É preciso informar corretamente: Segundo dados da própria Camara de Gestão da Crise Energética, 40% da economia verificada durante o racionamento foi absorvida pelo setor residencial. Na reali …

Pingo nos Is.


É preciso informar corretamente: Segundo dados da própria Camara de Gestão da Crise Energética, 40% da economia verificada durante o racionamento foi absorvida pelo setor residencial. Na realidade, para os setores produtivos, dos 26TWh economizados, sobrou apenas 15 TWh de aperto. Não fosse esse efeito sobre as residências, a crise teria consequências bem maiores. Não vamos esquecer que a seca de 2001 não foi a pior do histórico e que os setores produtivos tiveram apenas 5% de aperto energético como cota de sofrimento.



Lições do racionamento


Baixa atividade garante economia de luz industrial


Ricardo Rego Monteiro


Repórter do JB


Embora a maior parcela da indústria do Rio de Janeiro esteja com consumo de energia menor do que o período anterior ao racionamento do ano passado, apenas metade dos empresários investiu em medidas permanentes de eficiência energética, desde a crise. Uma enquete da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, com 314 empresas do estado, divulgada com exclusividade para o Jornal do Brasil , mostra que a redução do consumo se deu mais pela desaceleração da economia do que pela adoção de novos hábitos de consumo por parte da indústria fluminense.


Especialistas do setor avaliam que, tais números, indicam a existência de um risco de desequilíbrio do fornecimento, caso a economia, por algum milagre , volte a crescer. O estudo da Firjan, feito em parceria com a Confederação Nacional da Indústria, procurou fazer um balanço das lições do racionamento. As respostas não são muito animadoras.


A enquete revela que 47,7% dos empresários, atualmente, consomem menos energia do que antes do racionamento, iniciado em junho de 2001. O problema é que uma grande parcela (43,1%) voltou ao patamar de consumo de antes da crise. Poucos (9,2%) são os que estão poupando em relação ao período pré-racionamento.


Ainda de acordo com o levantamento, metade (50,3%) dos empresários ouvidos informou que não investiu em medidas permanentes de eficiência energética em suas empresas. Do total, apenas um quarto (26%) gastou na aquisição de aparelhos e equipamentos que consomem menos energia. Ao mesmo tempo, 18,2% revelaram algum tipo de desembolso em ”outras medidas” com o mesmo fim. A chefe da assessoria de pesquisas econômicas da Firjan, a economista Luciana Marques de Sá, avalia que, nesse último caso, as providências devem ter se limitado a iniciativas como troca de lâmpadas ou mudanças de turnos de produção.


Luciana também identifica no levantamento dados que induzem à outra conclusão reveladora: ”Na verdade, as conseqüências do racionamento para a atividade industrial, em termos práticos, foram menores do que o esperado. Talvez porque a indústria já estivesse em uma trajetória declinante mesmo antes da crise de energia, que resultou no racionamento em junho do ano passado. A economia vinha de um primeiro aumento da taxa de juros, em abril, o que já indicava o início de uma reversão de tendência econômica”, avalia.


Segundo o estudo, nada menos do que 51,3% dos empresários revelaram que a crise energética não afetou seu negócio. Mas uma quantidade significativa (23,7%) admitiu ter redirecionado o foco dos negócios por causa da redução forçada do gasto energético.



Se crescer, país terá problemas


Se quiser retomar o crescimento econômico, o país precisa urgentemente investir na expansão da capacidade instalada. Especialistas como o professor de Planejamento Energético da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Maurício Tolmasquin, advertem que, do contrário, qualquer sinalização de crescimento econômico poderá resultar em novo racionamento.


A situação, hoje, só não voltou a piorar por conta justamente da desaceleração econômica, que freou o consumo. Segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a situação hidrológica do país – regime de chuvas – é pior do que a verificada no mesmo período do ano passado, quando o país já se encontrava em pleno racionamento. Se o consumo estivesse em alta, o país correria sério risco de adotar práticas de racionalização do uso da energia.


”Esse levantamento da Firjan talvez seja um dos mais importantes estudos dos últimos meses porque indica, de uma certa forma, que os padrões de consumo anteriores à crise podem voltar mais rápido do que se imagina”, afirma Tolmasquin. Ele teme que a regularização dos reservatórios tenha contribuído para desmobilizar os esforços em prol de um uso mais racional da energia. Embora os níveis oficiais de consumo ainda estejam abaixo dos indicadores pré-racionamento, os dados da Firjan sinalizam o início de um processo de desmobilização.


Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *