Globo 12/10/98 Privatização cindirá o sistema Eletrobrás em sete geradoras Roberto Cordeiro BRASÍLIA. O Brasil deverá contar com oito geradoras de energia elétrica já n …



Globo 12/10/98

Privatização cindirá o sistema Eletrobrás em sete geradoras

Roberto Cordeiro


BRASÍLIA. O Brasil deverá contar com oito geradoras de energia elétrica já no próximo ano. Com isso, além da Gerasul – privatizada em setembro por R$ 946 milhões – haverá sete empresas fruto da cisão de Furnas, Chesf e Eletronorte, que integram o sistema Eletrobrás, a serem vendidas em 1999. O processo de separação dos ativos das estatais resultará em duas geradoras de Furnas; duas da Chesf; e três da Eletronorte. As empresas resultantes da cisão de Furnas terão sede no Rio.


O modelo foi apresentado ontem ao Conselho Nacional de Desestatização (CND) pelos consultores dos bancos Fleming Graphus e Bozano,Simonsen, durante reunião realizada no Palácio do Planalto. A meta é que no primeiro trimestre de 99 sejam fixadas todas as regras das privatizações dessas companhias. Em linhas gerais, a proposta é semelhante à do sistema Telebrás, cujas telefônicas estaduais foram agrupadas em 12 holdings. No entanto, está descartado que as sete geradoras sejam vendidas num só leilão.


Para conseguir atrair investidores, o Governo deve começar a venda pelas geradoras resultantes da cisão de Furnas. Isso porque há também a hipótese das sete companhias não serem vendidas em 99, e por esse motivo serão ofertadas inicialmente as empresas menos problemáticas. No caso de Furnas, por exemplo, a dívida é de R$ 900 milhões e sua capacidade de geração é seis vezes superior à da Gerasul.


– Furnas é sempre a preferida dos investidores. O Rio de Janeiro é a grande vitrine. As linhas gerais estão definidas e, de acordo com o que foi apresentado ao CND pelos consultores, esse modelo de privatização deve ser adotado – disse fonte do Governo que participou da reunião.


A parte de geração de Tucuruí se transformaria numa das três empresas da Eletronorte. As outras duas abrangeriam os estados de Amapá, Rondônia e Acre.


Os estudos de modelagem da venda de Furnas vêm sendo feitos pelo Fleming Graphus. Dentro dos próximos dias o BNDES deve divulgar o edital para contratar a empresa que vai preparar as condições dos leilões das geradoras da Chesf e da Eletronorte. No caso do Bozano,Simonsen, os trabalhos técnicos se destinaram apenas a dar suporte ao CND sobre a melhor forma de divisão das empresas. Na privatização do setor elétrico federal, as termonucleares e a parte de transmissão de energia elétrica continuarão sob responsabilidade da União.


Na reunião, o BNDES, gestor das privatizações, apresentou o balanço do Programa Nacional de Desestatização (PND). Segundo documento entregue ao ministro do Planejamento, Paulo Paiva, as privatizações até o leilão da Malha Paulista, anteontem na Bolsa do Rio, renderam US$ 30,741 bilhões. Foram transferidos US$ 6,567 bilhões de dívidas das estatais para grupos privados.


No dia 3 de dezembro, haverá o leilão da Companhia de Eletricidade de Alagoas (Ceal), cujo preço mínimo foi fixado em R$317 milhões. Está prevista para 17 de dezembro a venda da S.A. Eletricidade da Paraíba (Saelba), mas o edital ainda não foi publicado. Em 99, também haverá os leilões das distribuidoras estaduais de Rondônia e do Acre.


Os integrantes do CND não trataram da questão de antecipação de receitas com ativos do Sistema Eletrobrás, que será avaliada na próxima reunião do Conselho.

Como devem ficar Furnas, Eletronorte e Chesf

FURNAS: A estatal será cindida em duas geradoras que vão ser privatizadas em 1999. Uma das companhias ficará com a produção de energia existente no Rio Grande, entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, e a outra, com a bacia do Rio Grande, situada entre Minas Gerais e Goiás. Furnas tem a menor dívida entre as empresas do Sistema Eletrobrás: R$ 900 milhões. A capacidade de geração total é de 4,3 mil MW.


ELETRONORTE: Pelo modelo de venda apresentado ao Conselho Nacional de Desestatização (CND), a cisão da estatal Eletronorte resultaria em três empresas geradoras de energia: uma delas ficaria com a Usina Hidrelétrica de Tucuruí e as outras duas abrangeriam os estados de Amapá, Rondônia e Acre.


CHESF: A parte de geração da Chesf seria dividida em duas empresas. De acordo com o modelo apresentado, as usinas termonucleares e as linhas de transmissão existentes no país ficarão sob o controle da União.


ELETROSUL: A Gerasul – fruto da cisão da Eletrosul – foi privatizada no dia 15 de setembro deste ano, em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio. A empresa foi arrematada por R$ 946 milhões.

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