O GLOBO ON 12.08.97 George Vidor vidor@oglobo.com.br Enxuta Todos os funcionários ligados diretamente à área de energia nuclear em Furnas já foram transferidos para a Nuclen, que agora é a empresa res …

O GLOBO ON 12.08.97





George Vidor

vidor@oglobo.com.br

Enxuta

Todos os funcionários ligados diretamente à área de energia nuclear em Furnas já

foram transferidos para a Nuclen, que agora é a empresa responsável pelas usinas

Angra I, II e III. Foram mais de 800 de uma vez, o que obrigará a Nuclen a se

mudar de suas atuais instalações em Botafogo. A Nuclen não quis ficar com um

dos prédios de Furnas porque o aluguel cobrado pela Fundação Real Grandeza,

dona do imóvel, é considerado alto.

A Real Grandeza administra o fundo de pensão que complementa a aposentadoria

dos funcionários de Furnas (e também da Nuclen). Todos os prédios

administrativos hoje ocupados pela empresa pertencem à Fundação. Com a saída

da diretoria termonuclear para a Nuclen, pelo menos um dos edifícios ficará

inteiramente ocioso. Aliás, não só o prédio, mas também outros 700 e tantos

funcionários que prestavam serviços em Furnas para a área nuclear e que não

foram absorvidos pela Nuclen (apenas 31, que não pertenciam à diretoria

termonuclear, acabaram sendo aproveitados).

Como Furnas agora está a caminho da privatização, terá de encontrar uma

solução em prazo relativamente curto para esse problema. Achar um inquilino

para o prédio ocioso não será fácil porque a Fundação Real Grandeza conta com

o recebimento de um aluguel elevado para complementar aposentadorias e pagar

benefícios. Além disso, o imóvel não tem garagem ou entrada independente das

demais instalações ocupadas por Furnas, o que exigirá algum tipo de reforma

caso precise ser vendido, por exemplo.

Do enxugamento de pessoal, dificilmente Furnas escapará, seja ainda como

estatal ou futuramente como empresa privada (a perspectiva de demissão

certamente alimentará a campanha contra a desestatização). O que salva os

funcionários excedentes de um corte imediato é o fato de o fornecimento de

energia elétrica à região Sudeste andar pelo fio da navalha.

O sistema tem 42 mil megawatts disponíveis atualmente, e o consumo chegou ao

pico de 40 mil MW há poucos dias. Nesse momento, todo cuidado é pouco e

nenhuma decisão traumática é aconselhável exatamente na empresa que

gerencia a interligação do sistema de energia elétrica.

Furnas pôs em funcionamento a segunda turbina da recém-inaugurada hidrelétrica

Corumbá, e até o fim do ano acionará a terceira e última máquina da usina. Em

março do ano que vem, será a vez da usina de Serra da Mesa entrar no circuito,

aliviando a pressão sobre o sistema. A salvação da região Sudeste virá mesmo

com a usina nuclear Angra II, que entrará em teste por volta de dezembro de

98/janeiro de 99 (42% dos equipamentos da central já foram montados).

Com a mudança da Nuclen para o centro do Rio (a empresa está alugando seis

andares de um novo prédio próximo à igreja da Candelária), o bairro de Botafogo

perderá a hegemonia sobre o setor nuclear. Ali ainda ficarão as sedes da INB

(Indústrias Nucleares do Brasil) – que faz o elemento combustível usado no reator

de Angra I – e da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

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