GLOBO 12/07/98 Governo do Pará vende distribuidora de energia para grupo nacional, sem ágio Em menos de três minutos, sem disputa nem manifestações contrárias, foi vendida ontem em …



GLOBO 12/07/98






Governo do Pará vende distribuidora de energia para grupo nacional, sem ágio


Em menos de três minutos, sem disputa nem manifestações contrárias, foi vendida ontem em leilão na Bolsa de Valores do Rio a Centrais Elétricas do Pará (Celpa). A distribuidora de energia elétrica do Estado do Pará foi vendida pelo preço mínimo de R$ 450,2 milhões ao consórcio QMRA Participações, formado pelos grupos nacionais Rede e Inepar. Apenas o consórcio QMRA se interessou na compra do controle da companhia. Foram vendidas no leilão ações ordinárias representando 54,9% do capital ordinário e 1,59% do total das ações preferenciais.

O presidente do Grupo Rede, Jorge Queiroz Morais Júnior, explicou que, com a compra da Celpa, o grupo passa a ter 6,5% do mercado de distribuição de energia do país. O grupo, que atua há 30 anos no setor de distribuição de energia, adquiriu em leilão há meses a Cemat, distribuidora de energia no Mato Grosso, juntamente com a Inepar. Os dois grupos pretendem participar das privatizações das empresas de energia de Roraima e do Acre, segundo Jorge Queiroz.

O Grupo Rede distribui energia em 71 municípios localizados no interior de São Paulo, no Sul de Minas Gerais, no Paraná, em Tocantins, no Mato Grosso e agora no Pará, com dois milhões de consumidores. No consórcio, o grupo Rede participa com 65% do capital, e a Inepar com 35%.

Os novos controladores da Celpa pretendem investir R$ 110 milhões nos próximos 18 meses, principalmente na eletrificação de 20 municípios que ainda não têm luz.

– Não temos costume de comprar alguma coisa já feita, mas sim para fazermos. Por isso compramos empresas em Tocantins, Mato Grosso e agora no Pará. Com essas aquisições, o grupo triplicou de tamanho em seis meses – disse Jorge Queiroz.

O secretário de Planejamento do Estado do Pará, Simão Robson Oliveira Jatene, disse que os recursos da privatização da Celpa se destinarão a obras de expansão da base produtiva em agroindústria, setor mineral e turismo. O Governo do Pará vai pagar ao BNDES cerca de R$ 80 milhões referentes ao financiamento recebido para fazer o saneamento da empresa.

Apesar de ter sido saneada para ser vendida, a Celpa acumula dívidas da ordem de R$ 180 milhões. Um de seus atrativos, contudo, é o mercado de energia do estado, que cresce 10% ao ano. A Celpa tem perdas de energia da ordem de 30%. O presidente do Grupo Rede disse que com a redução das perdas poderá diminuir as demissões. A Celpa fatura R$ 400 milhões por ano e tem 800 mil consumidores.





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