Usina S.L do Tapajós terá quase 8 mil MW

São Luiz do Tapajós terá potência quase 30% maior

Estudos de viabilidade indicam que usina teria potencial de 7.880 MW, contra os 6.138 MW inicialmente projetados nos estudos de inventário

Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão, 21/12/2010

O presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz Lopes, afirmou que a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós deve ter sua potência instalada aumentada em 28,38%, em relação ao previsto inicialmente. Segundo ele, os estudos de viabilidade que foram concluídos pela Eletrobras, em parceria com a EDF, indicam que a usina teria potencial de 7.880 MW, contra os 6.138 MW inicialmente projetados nos estudos de inventário.

Com a nova capacidade instalada, a usina será maior que as usinas do Rio Madeira (RO) – Santo Antônio e Jirau – que ao todo possuem 6.600 MW. Mesmo com as ampliações previstas, as duas usinas chegariam a, no máximo, a 7.350 MW, menos do que São Luiz do Tapajós.

“Foi uma surpresa maravilhosa”, destacou. Segundo ele, essa elevação deve-se à atualização dos dados hidrológicos em relação aos estudos de viabilidade. Muniz Lopes avalia que o empreendimento, porém, não deve estar pronto para ser negociado no leilão de energia nova A-5 de 2011, já que a elaboração dos estudos e relatórios de impacto ambiental devem durar cerca de um ano. O mais provável é que o empreendimento seja licitado em 2012.

O executivo destacou que o empreendimento é um dos que serão leiloados no conceito de usina plataforma, sob o qual o nível de antropização deverá ser o menor possível. De acordo com Muniz, as cinco usinas plataforma deverão ter uma área total de espelho d’água menor que 2 mil quilômetros quadrados e manter intacta uma área total de 200 mil quilômetros quadrados – por conta de estarem localizadas em áreas de floresta.

“A proposta é manter os reservatórios dessas usinas mais ou menos dentro da área que elas alagariam nas máximas cheias, não vamos alagar mais do que já se alaga. Outra diretriz é aproveitar parte da receita desses empreendimentos para garantir a integridade física da área. Eu tenho uma “ilha: uma usina cercada de árvores”, explicou o executivo.

A usina estará localizada em Itaituba (PA) e é considerada a última usina do complexo do Tapajós, composto de cinco empreendimentos, ou “à jusante”. Com a mudança dos dados hidrológicos, o complexo do Tapajós deve ter potência total da ordem de 13 mil MW, contra 10.680 MW. O complexo teria outras duas usinas, mas influências em áreas indígenas acabaram descartando esses empreendimentos. Se esses dois empreendimentos entrassem no complexo, o total seria de 15 mil MW

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