Híbrido

Dicionário Michaellis: hí.bri.do adj (lat hibrida ou hybrida)


1 Diz-se do indivíduo que resulta do cruzamento de dois genitores de espécies, raças ou variedades diferentes. 2 Derivado de fontes dessemelhantes. 3 Que está composto de elementos diferentes ou incôngruos. 4 Gram Composto de elementos provenientes de línguas diversas: Vocábulo híbrido, língua híbrida. sm Animal ou planta híbridos.



O modelo é híbrido. Não é nem mercado nem serviço público. Resultado? Os grandes consumidores estão saindo do mercado cativo, aproveitando a situação de sobreoferta. Enquanto eles comemoram, as distribuidoras lamentam. O ILUMINA estranha essa revoada sem que o governo se manifeste, considerado o conceito do novo modelo. Segundo constava, o modelo retomaria o conceito de serviço público desmontado na década de 90. “Energia não é mercadoria!”, lembram? Ora, quem são os prestadores desse serviço senão as distribuidoras? Desmonta-se justamente o mercado do alicerce desse serviço público? Arrisca-se comprometer as projeções da demanda das distribuidoras? É estranho, porque a expansão de todo o sistema se fará a partir das suas projeções. Algumas pequenas distribuidoras, ao perder um grande consumidor, podem estar perdendo 30% ou mais de seu mercado industrial.



E não é só isso! Se eles estão saindo é porque encontram preços melhores no mercado livre, dado que as geradoras correm desesperadamente em busca de encaixe para sua energia. Não parece ser justo que se assista passivamente uma demonstração de poder de mercado do lado da demanda fazendo com que a energia barata, (por ter sido amortizada exatamente pelo consumidor cativo) não seja democraticamente reservada para o serviço público. Paciência, o modelo é híbrido… Vamos ver o que vai dar…








Mercado livre aumentará 2 GW médios até o final do ano, projeta consultoria (Canal Energia 25/05)


Consultoria Andrade Canellas estima que nível de consumo saltará dos atuais 5,5 GW médios para 7,5 GW médios



Cristiane Alvim, Consumidor


25/5/2004




O segmento de consumidores livres, clientes provenientes do mercado cativo, deverá aumentar em 2 GW médios o nível de energia até o final do ano, segundo previsão da Consultoria Andrade Canellas. De acordo com Alexandre Brandstatter, assessor da diretoria de Grandes Consumidores da consultoria, cerca de 13% da carga total do país já é atendida pelo mercado livre, totalizando 5,5 GW médios. A participação dos consumidores livres e potencialmente livres chega a 14,5 GW médios, cerca de 35% da carga total do país, de 41 mil GW médios.



“Até o final do ano, cerca da metade dos consumidores potencialmente livres deve estar neste mercado. Hoje temos cerca de 5,5 GW médios no mercado e no final do ano este patamar deve ficar em 7,5 GW médios”, avalia Brandstatter. Segundo ele, esta mudança se concentrará, principalmente, nas regiões Sudeste e Sul. Brandstatter explica que as tarifas do mercado livre de energia estão atrativas e o fluxo de saída do mercado cativo deve continuar até 2009.



O crescimento dos negócios no mercado livre gera impactos para os negócios das distribuidoras, com a perda de clientes cativos. A redução de receita já começa a aparecer nos balanços trimestrais e as empresas buscam ações para fidelizar estes consumidores. Os impactos são, muitas vezes, minimizados pela receita obtida com o uso da rede, chamado de receita-fio. No ano passado, por exemplo, o consumo industrial no país cresceu apenas 1,7%, segundo dados divulgados pela Eletrobrás.



A Elektro (SP) teve queda de 12% nas vendas para a classe industrial no trimestre, comparada ao mesmo período do ano passado. A empresa atribui a retração à saída de clientes livres da base cativa, causada pelo fraco ritmo da atividade econômica e o excesso de oferta de energia.



O grupo Cataguazes-Leopoldina registrou diminuição de 12,5% nas vendas consolidadas para a classe industrial. A saída de três grandes clientes reduziu a carga em 77 GWh. O consumo da classe industrial, na área de concessão da Copel (PR), teve queda de 1,2% no trimestre.



A Eletropaulo (SP) perdeu 11 clientes cativos para o mercado de livre. A saída destes consumidores, que totaliza na prática 18 unidades consumidoras, representou uma queda de 1,9% no mercado da empresa. Destes 11 clientes, cinco permaneceram no grupo AES, comprando energia das geradoras da multinacional.



Tarifas e leilões – Entre os motivos que impulsionam a opção pela compra direta de energia destacam-se, além da tarifa, a não-exposição ao realinhamento tarifário, já que o preço dos contratos com as geradoras é corrigido pelo IGP-M. Outra razão é que os consumidores tendem a acompanhar as empresas concorrentes, seguindo a tendência de ir para o mercado livre.



“A sobra de energia no mercado dá condições para que os geradores ofereçam energia a preço atrativo. Os eletrointensivos têm fechado contrato direto com geradores”, revela. Os eletrointensivos correspondem a 83% do mercado de grandes clientes, segundo ele.



Para o processo de migração para este mercado, Brandstatter comenta os quatro caminhos adotados pelos clientes cativos: contratos bilaterais, participação em leilões promovidos por geradoras, investimentos em autogeração e realização de leilões para contratar comprador. O período médio de contrato, segundo Brandstatter, é de cinco anos. Ele acredita que a ida para o mercado livre é tendência sem volta, principalmente para os eletrointensivos. “O retorno para o cativo é muito difícil”, avalia Brandstatter.



Brandstatter aponta outra tendência do mercado livre. Segundo ele, os grandes consumidores cuja demanda não é tão grande estão optando por comprar energia de geração de fonte alternativas. “Recomendamos a compra de energia de pequenos geradores, principalmente de pequenas centrais elétricas e de usinas de biomassa. Apesar de o custo do MWh ser mais alto do que o da hidreletricidade, a redução de 50% nas tarifas de transmissão compensa o valor final”, pondera.



Ele explica que muitos clientes optam por adquirir energia de PCH e biomassa, evitando a exposição à sazonalidade da cana-de-açúcar, no caso de biomassa com bagaço de cana. Segundo ele, embora o mercado livre esteja concentrado nas regiões Sul e Sudeste, o Nordeste vem aumentando sua participação na compra de energia por fontes alternativas.



Para diminuir os riscos com a ida para o mercado livre, Brandstatter comenta que são necessários cuidados em relação às cláusulas contratuais, além de conhecer as características de consumo do cliente. “É fundamental conhecer o perfil do consumo do cliente, trabalhando com dados como futuras expansões. Para se ter conforto neste tipo de negócio, é importante ter flexibilidade com o gerador”, destaca. Brandstatter explica que a maioria dos contratos prevê a possibilidade de o clientes ultrapassarem a demanda contratada, a fim de diminuir a exposição ao risco.


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