Futuro da Light







EDF decide em uma semana futuro da Light
Cogita-se até em “porteira fechada”



Os investidores interessados na Light aguardam manifestação da Electricité de France (EDF) na próxima semana sobre os escolhidos para participar da segunda fase do processo de seleção dos candidatos a aquisição do controle da distribuidora fluminense. Uma fonte ouvida pelo Valor informou que a EDF deverá definir uma lista pequena, bem seleta, com os nomes dos grupos aprovados e que serão convidados para participar do “data-room” da Light que está sendo organizado pelo Goldman Sachs.


A expectativa deve-se ao fato de as propostas apresentadas até agora serem díspares. Há informações que seriam quinze propostas diferentes. Alguns grupos querem comprar o conjunto de ativos, tanto a geração hidrelétrica e térmica, como a distribuidora. Entre eles estão a GP Investimentos e o consórcio Rio-Minas (formado pela Andrade Gutierrez, Cemig e pela JLA Investimentos liderada por José Luiz Alquérez e Ronnie Vaz Moreira). Outros têm interesse apenas nos ativos de geração da Light.


A distribuidora tem cinco hidrelétricas que geram 850 megawatts médios. E conta, ainda, com contrato de compra de energia produzida pela térmica Norte Fluminense, um ativo que pertence à sua controladora EDF Internacional (90%) e Petrobras (10%).


Outros têm interesse apenas em ativos de geração, como a CPFL, a Energias do Brasil, a SuezEnergy (ex-Tractebel) e o grupo Brascan que, por meio da Brascan Energética criada em 1999. A empresa nasceu com foco no desenvolvimento, implantação, construção e operação de centrais hidrelétricas para geração de energia. A estratégia de investimento em usinas de até 300 MW, com especial ênfase na construção de usinas com até 30 MW de potência instalada. Curioso é que o Brascan chegou ao Brasil para atuar na distribuição de energia elétrica criando a Light, em 1904.


Já o grupo capitaneado pela Família Gouvêa Vieira junto com o fundo de investimento Millenium deixa de fora, na sua proposta, a térmica Norte Fluminense. Há quem afirme que o grupo estaria negociando com a estatal para que ela fique com o controle da térmica.


Agora, a vez de se manifestar é da EDF. As propostas que foram entregues continham o preço que cada grupo está disposto a pagar e a lista de ativos que desejam comprar. Caberá ao grupo francês decidir quais interessam e quais serão descartadas.


Considerando-se que a estatal francesa pretende desvincular do grupo a dívida de R$ 3,5 bilhões referentes à Light que mancha seu balanço na Europa, o previsível seria que descarte as propostas de compra de ativos separados, dando mais atenção para aquelas que permitam sua saída do controle.


A francesa já teria definido que reduzirá sua participação, hoje de 95%, para algo em torno de 5% a 10%. Se essa intenção se mantiver, o mais provável é que ela opte por investidores que queiram a Light “de porteira fechada”. Segundo fonte próxima aos franceses, o perfil do investidor, além da forma de atuar nos negócios, também vai pesar na escolha das propostas.


A área de concessão da Light abrange 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro, incluindo a Capital. São 3,4 milhões de clientes. A empresa foi privatizada em maio de 1996. Atualmente a companhia produz em suas usinas cerca de 18% do total da energia que distribui. O restante vem de Furnas e Itaipu.

(C.Schüffner e H.Magalhães, Valor,Rio)

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