Em relação às linhas de transmissão em 500 kV planejadas entre Tucuruí e Manaus, o ILUMINA, faz algumas considerações pertinentes. O sistema de transmissão entre Tucuruí e Manaus, será constituído por linhas de 500 kV chamadas por alguns de “gigantescas”, pois, além da sua enorme extensão, o seu projeto e construção significarão um marco para a engenharia nacional, com a superação de grandes desafios técnicos/ambientais, como a travessia aérea do rio Amazonas, e também a adequação a rígidos cuidados com o meio ambiente na floresta amazônica. Estas linhas de transmissão entre Tucuruí e Manaus são muito importantes para o país, pois ampliarão o chamado Sistema Interligado Nacional – SIN (aquele que vai atualmente do extremo sul do Rio Grande do Sul até Belém do Pará e que não parará de ampliar-se) não apenas até Manaus, como também até Macapá e Boa Vista, através de ramais deste tronco principal de transmissão Tucuruí-Manaus. E qual a vantagem desta obra para o SIN? São várias, como por exemplo permitir atender estas capitais de 3 estados da região Norte com o “excedente” de energia hidrelétrica existente no SIN (de valor muito barato, pois é gerada com água que está sobrando nos reservatórios e que seria vertida sem produzir nenhum kWh). Além disso, estas capitais são responsáveis por cerca de 80% da cobrança da chamada ‘CCC’ (Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis), que é cobrada de todos os consumidores do SIN. Ao passarem a ser estas localidades supridas pelo SIN, a CCC referente ao combustível fóssil destinado a estas áreas, hoje cobrada de todos nós consumidores pelo país afora, deixará automaticamente de existir, representando uma redução anual da ordem de dois bilhões e oitocentos milhões a três bilhões de reais, que deixarão de ser cobrados de todos os consumidores do SIN por ano (é isto mesmo: 3 bilhões de Reais por ano que vão deixar de ser cobrados nas contas de consumo de energia elétrica de todos nós, significando caminhar na busca da tal da ‘modicidade tarifária’). Mas as vantagens não param por ai, já que o gás natural extraído de Urucu poderá ser utilizado em Manaus para gerar energia elétrica em usinas térmicas lá existentes, e que poderá, em alguns períodos do ano, ser “exportada” para os outros estados brasileiros, ou seja, no período de baixa hidraulicidade (quando a água dos reservatórios das hidrelétricas fica mais cara, por estar mais escassa nas regiões Nordeste, Sudeste ou mesmo Sul). Em relação à Petrobrás, as consequências são: todo o óleo diesel que ela deixará de importar para as atuais térmicas de Manaus (o que é uma quantidade muito grande) significará um saldo extra nas suas exportações líquidas, melhorando seu desempenho corporativo e colaborando de forma importante para o superávit da balança comercial do país. Ela (a Petrobrás) perderá com isso? A resposta é não: a Petrobrás continuará mantendo como seu cliente todo o mercado de Manaus, atendido com o insumo ‘gás natural’, brasileiro, produzido em Urucu, para uso industrial, comercial, residencial, veicular e para a geração termelétrica nesta cidade. Quanto à faixa de servidão do linhão Tucuruí-Manaus servir de rota de tráfico de madeiras nobres da floresta, há tecnologias hoje disponíveis que monitoram a rota por satélite (a rota do gasbol em território brasileiro é monitorada assim), permitindo acompanhar tudo que acontece ao longo do trajeto do empreendimento. Portanto, isto não é mais razão para se justificar a não realização desta obra. Adicionalmente, o linhão Tucuruí-Manaus-Macapá-Boa Vista (ainda que indiretamente e sem querer) também tem influência quanto à possível viabilização do chamado “gasoduto do Sul” (ou ‘del Sur’, obra polêmica defendida com grande entusiasmo pelo presidente da Venezuela, Hugo Chaves). Sem entrar no mérito de sua (do gasoduto del Sur) importância estratégica para a integração energética e econômica da América do Sul, esta obra poderá ter facilitada enormemente a obtenção da sua licença ambiental de instalação e operação (do mega-gasoduto Venezuela-Brasil-Argentina), pois o seu trajeto inicialmente pensado poderá se utilizar justamente da “faixa de passagem” na floresta obtida para a construção do referido linhão, caso se decida interconectar, via o território brasileiro, o sistema de produção de gás natural da Venezuela com a rede da Argentina Chile e Uruguai. Porém a opção que parece se mostrar mais viável neste caso (técnica, ambiental e economicamente) para o chamado gasoduto do sul é a que preconiza que este seja construído em ‘steps’ ou etapas (e não exatamente com a rota como quer o polêmico presidente da Venezuela). A melhor opção, do ponto de vista das viabilidades técnica, ambiental e econômica deste empreendimento, seria ampliar a planta de re-gaseificação de GNL a ser instalada no litoral do Maranhão ou Ceará (planta prevista pela Petrobrás para ser construída na região Nordeste – vide nota abaixo), possibilitando trazer o gás natural da Venezuela pelo mar, por navios chamados ‘metaneiros’ (que são apropriados para transportar GNL). Isto evitaria grandes impactos ambientais, causados pela instalação de um gasoduto rasgando a floresta amazônica. O transporte deste gás natural re-gaseificado até as demais regiões do Brasil, e chegando até o Uruguai, Chile e Argentina se daria pela rede de gasodutos existente e em construção, percorrendo o litoral do Sudeste e Nordeste do Brasil, interligando as redes já existentes desde o Maranhão até o Rio Grande do Sul. Nota- Plantas de Gás Natural Liquefeito (GNL) Para blindar o país de chantagens nacionalistas de nossos vizinhos deste ‘Sur de América’ em relação a insumos energéticos que são importados pelo Brasil em quantidades que o tornem vulnerável a estas artimanhas, é importante que sejam disponibilizadas (construídas) o mais rapidamente possível duas plantas de re-gaseificação de gás natural líquido (GNL). Uma destas plantas está prevista para região Sudeste, na revisão recentemente feita dos planos de investimento da Petrobrás, prioritariamente no Rio de Janeiro, devido ao uso bastante disseminado deste insumo na matriz energética do estado (petroquímica, refinarias, usinas termelétricas a gás natural, alto consumo industrial, comercial, residencial e veicular). A outra planta tem previsão de ser instalada na região Nordeste, com capacidade total das duas plantas na casa de 6 a 8 milhões de m3/dia. Paralelamente, é muito importante que a Petrobrás antecipe para 2.008-2.009 a produção das grandes reservas já encontradas na bacia de Santos e no litoral do Espírito Santo. Estas medidas irão praticamente eliminar a dependência do Brasil em relação ao gás natural produzido na Bolívia. A antecipação para 2.009 da produção de gás natural pelo Brasil (24 milhões de m3/dia) nas áreas de produção do litoral do Espírito Santo, bacia de Campos e bacia de Santos, aproveitando a infra-estrutura já existente (ou em construção) de gasodutos e plataformas , corresponde a pouco menos do que o Brasil atualmente importa da Bolívia diariamente pelo gasoduto Brasil-Bolíva (gasbol), que monta a cerca de 27 milhões de m3/dia. Isto fará com que o Brasil deixe de depender da importação de gás natural da Bolívia para tocar as indústrias, comércio, residências, veículos e usinas termelétricas de geração de energia elétrica.