FUTURISMO
Sempre que os índices da economia são desfavoráveis aparecealguém do governo, quando não o próprio Presidente, para informar aos pacientes contribuintes que “no próximo ano será melhor”. E assim continua-se a alimentar o imaginário popular que o Brasil é o país do futuro. Que nunca chega!
Estamos vivenciando isso neste momento, quando o IPEA-Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, órgão ligado ao Ministério do Planejamento, reduziu o percentual de crescimento econômico para este ano, que era um baixo índice de 3,3%reduzido agora a 2,8%. Isso aconteceu logo após a divulgação do crescimento do PIB do terceiro trimestre, de 0,5% frente ao do trimestre anterior. Estamos numa surda competição econômica com o Haití.
Mas as esperanças do nosso ufanista povo estão renovadas porque o próprio IPEA tratou logo de garantir que o tão esperado crescimento econômico de 5%, para nos colocar mais próximos dos BRICs (grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China), será viável na próxima década. Alívio geral! Isso significa que na década a se iniciar após 2010 teremos o tão esperado espetáculo do crescimento.
Agorao povo brasileiro bem informado vive um outro dilema. A EPE–Empresa Brasileira de Pesquisas Energéticas, ligada ao Ministério das Minas e Energia, acaba de informar que a oferta de energia suficiente para não haver racionamento, está garantida só até 2010.
Se acontecerem as previsões do IPEA e da EPE, estaremos fadados a um apagão geral na energia elétrica, no início do próximo mandato presidencial já que o do atual termina em dezembro de 2010. Com o crescimento da economia, fatalmente não haverá energia elétrica suficiente para sustentá-lo.
Alguma providência séria e efetiva precisa ser tomada imediatamente.
O Brasil real às vezes surpreende os governantes, como aconteceu em 2001 no episódio chamado de “apagão do sistema elétrico”. Os dirigentes têm a obrigação de encaminhar uma solução imediata para esse problema porque todos sabemos que os investimentos em geração de energia levam alguns anos para serem efetivados.