Comentários sobre a apresentação do Plano 2030 na EPC


COMENTÁRIO DO COLABORADOR DO ILUMINA, ENG. JOAQUIM CARVALHO NO CONTEXTO
DA APRESENTAÇÃO DO PLANO 2030NA ECO POWER CONFERENCE


Deve ser notadoque a posição do governo está longe de ser pró-ativa, ou seja, caminhamos sem um plano elaborado em função das demandas da sociedade. O que se vê é a
constatação do comportamento pretérito do consumo de energia, traduzida em séries históricas (que poderiam ser levantadas pelo IBGE), seguida de cenários para o futuro, que são desenhados a reboque de decisões tomadas por grandes consumidores, sem que se questione o interesse – ou desinteresse – da sociedade brasileira, por projetos altamente “energy intensive” como, por exemplo, aqueles que se destinam a expandir as exportações de alumínio. Enfim, sem fazer planos para o atendimento da demanda por energia, decorrente das efetivas necessidades da sociedade, o governo coloca-se na posição passiva, de providenciar a ampliação da capacidade geradora, para atender a interesses daqueles que pretendem implantar projetos altamente “energy intensive”, de interesse de
grupos restritos, comprometendo, com isso, o potencial de geração para o serviço público. Veja o caso da produção de alumínio (75% da qual é exportada a preços “achatados”).
Pois bem, só a produção de alumínio compromete uma capacidade instalada superior a 5.000 MW (parte de Tucuruí + usinas do eng.Antonio Hermínio+ parte de outras hidrelétricas em diversas regiões). Se o governo – exercendo o legítimo poder de regular a atividade econômica, que lhe é próprio – limitasse o uso de eletricidade gerada em hidrelétricas apenas para projetos de interesse público (veja os dispositivos do artigo 20 da Constituição da República), o Brasil poderia cobrir a demanda por eletricidade pelas próximas décadas, apenas com energia gerada em hidrelétricas, com uma pequena complementação térmica (possivelmente a bagaço de cana).


Notas do Ilumina:


1 – As observações do eng.Joaquim Carvalho colocam na mesa dos debates um tópico que já esteve na ordem do dia quando os Planos Plurianuais elaborados peloextintoGCPS (digamos, hoje substituído até com vantagens pela EPE), nos anos oitenta, eramacusados , com amplas razões, de estar longe de seremPLANOS ESTRATÉGICOS.


2 – Narramos um exemplo no curto prazo operativo , mas que poderia servir de exemplopara o médio prazo e como critério na elaboração de alternativa na elaboração de umplanejamento estratégico: Já nos anos sessenta, na área da empresa Ohio Power (EUA), duas grandes cargas com fator de carga 1,0 , na ocasião consumindo 1000 MW – a Republic Steel e outra siderúrgica do mesmo porte – eram obrigadas contratualmente a reduzirem seus consumos em caso de problemasoperativosno sistema da concessionária. Enfim, operavam com obrigações de comportarem-se, diríamos, como “reserva girante” .


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