A estatal Furnas vence o leilão de privatização
Linha adquirida pela empresa terá de ficar concluída no máximo em 22 meses
RIO – A grande surpresa do leilão das linhas de transmissão promovido ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi a vitória do consórcio formado unicamente por Furnas Centrais Elétricas – uma empresa estatal cujo processo de privatização está parado há meses. A linha de Furnas tem 328 quilômetros e deve ficar concluída em 22 meses. Mas o governo vem anunciando a privatização da empresa em um prazo inferior a este.
A companhia foi a única a apresentar proposta para a linha de transmissão Sul-Sudeste, que vai ligar Batéias (PR) a Ibiúna (SP). Ao contrário do que acontece em leilões tradicionais, neste caso não há preço mínimo fixado para a concessão e ganha a disputa a empresa que se dispuser a cobrar a menor tarifa durante os 20 anos de duração da concessão. Por isso, o leilão não teve ágio, e sim deságio.
No geral, o leilão atraiu poucos participantes. Apesar de oito consórcios terem depositado garantias, apenas três deram lances. Das três linhas em licitação, que correspondem a 1.575 quilômetros de extensão e aumento de 4,2 mil megawatts no transporte de energia, duas ficaram com o consórcio formado pelas empresas Alusa/Cavan e Schahin Engenharia e outra com Furnas.
O diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, afirmou, no entanto, que ficou satisfeito com a participação das empresas privadas. "Dos cerca de RS$ 1,19 bilhão em investimentos que serão provocados por essa licitação, o setor privado vai entrar com quase 75%." Na verdade o cálculo está errado, já que os R$ 412 milhões que Furnas investirá na construção da linha que arrematou correspondem a 35% do total dos empreendimentos licitados. Furnas apresentou como proposta a receita máxima definida pela Aneel, de R$ 81,531 milhões.
As companhias estatais estão normalmente impedidas de participarem de leilões de privatização. No caso de Furnas, a participação foi autorizada pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND).
O consórcio TUC 2001, formado pela Schahin Engenharia e Alusa, se dispôs a receber uma receita de R$ 28,636 milhões (deságio de 8,02%) pela operação da linha Tucuruí-Vila do Conde, no Pará. O consórcio ganhou ainda a Expansão Norte-Nordeste, cuja proposta foi de R$ 123,333 milhões.
O presidente da Alusa, Paulo Roberto Godoy Pereira, disse que a presença do BNDES será fundamental para que os projetos saiam do papel.
O diretor-geral da Aneel adiantou durante o leilão que a agência pretende licitar este ano outras 18 novas linhas de transmissão e 18 usinas hidrelétricas. (Paulo Cabral, Jander Ramon e Rodney Vergili, AE).