Estranho A Camara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica pressiona pela liquidação das contas do MAE sem a auditoria prévia. Estranho! Em primeiro lugar, as estatais, as maiores geradoras do paí …

Estranho


A Camara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica pressiona pela liquidação das contas do MAE sem a auditoria prévia. Estranho! Em primeiro lugar, as estatais, as maiores geradoras do país, fazem parte da Câmara? Não?? Mas… justamente os maiores investidores na produção da eletricidade não estão representados? Mas então, que investidores são esses que pressionam para que outros investidores paguem contas bilionárias baseadas em um critério que não resiste a uma auditoria?


Por obra e graça de um grande equívoco metodológico, com raízes profundas em uma ideologia que está saindo de moda em todo o mundo, justamente os que produzem são os que devem somas milionárias aos que distribuem. O preço do MAE (PMAE) é o "mágico" que transforma créditos em débitos. Sobre isso, já escrevemos! O que gostaríamos de lembrar à CBIEE é que algum dia, se esse modelo fosse continuado, os representados pela CBIEE poderiam estar do outro lado. Que tal esvaziar seus reservatórios a R$ 50 o MWh e depois "enchê-los" pagando R$ 684 o MWh? Só por conta do orçamento, a Eletrobrás garante menos 25% de futuro ao Brasil. Imaginem o resto…..


Enquanto isso, o leilão da CESP vai remando contra a corrente, como se nada estivesse ocorrendo… Estranho!


CBIEE envia carta a Palocci sobre indefinições na liquidação do MAE (Canal Energia 10/12)


Documento detalhará a posição da entidade em torno do impasse, além de apontar possíveis conseqüências para o setor elétrico

Oldon Machado, Mercado Livre

09/12/2002


A polêmica em torno da liquidação dos negócios realizados no MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica) vai chegar ao primeiro escalão do governo eleito. Nesta terça-feira, dia 10 de dezembro, a CBIEE (Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica) encaminhará uma carta ao coordenador da equipe de transição de governo, Antônio Palocci, onde será detalhada a posição da entidade em torno do impasse, além de possíveis conseqüências para o setor.


O documento deve apresentar uma espécie de resumo histórico das reuniões que as empresas filiadas e a própria Câmara já realizaram com o novo governo, representado pela especialista da área de energia na transição, Dilma Roussef.A explicação em torno da preocupação pela não-realização da liquidação neste ano estará atrelada à crítica pela realização da auditoria prévia nos números da contabilização, que, para a CBIEE, não é imprescindível.


"Acreditamos que a auditoria a posteriori poderia ser realizada sem nenhum prejuízo ao negócio, como estava pactuado no Acordo Geral do setor elétrico" , diz Cláudia Costin, presidente da CBIEE. Ela ressalta que, mesmo com a necessidade de um levantamento anterior à efetuação dos pagamentos – como defende o PT – teria que haver o interesse imediato pela definição tanto no andamento da auditoria quanto na fixação de uma nova data para a liquidação.


Segundo Costin, não existem motivos para que a auditoria não aconteça após o acerto financeiro, pois trata-se de um negócio envolvendo poucas e grandes empresas, onde não seria difícil haver a correção de supostos erros . Mas a principal crítica feita pela executiva está em um possível "pouco caso" por parte das empresas estatais – em sua grande maioria, devedoras na liquidação – em ver o processo caminhando com agilidade.


"Isso é simplesmente deplorável. São as empresas estatais que estão devendo e, no entanto, não estão querendo pagar. A liquidação funcionará como um termômetro de como será a relação entre o setor privado e o setor público no novo governo", afirma. Com base em uma avaliação no atual quadro, ela reitera que a sinalização aponta para um clima de não-confiança.


Apesar das críticas sobre a realização de auditoria e à posição dos agentes do governo, Costin admite que o principal fator para a não-realização do negócio este ano, mais do que vontade política, foi a desistência do Banco do Brasil em ser o agente de liquidação, comunicada na semana passada ao MAE.


Eletrobrás terá 25% a menos para investir (Folha 10/12)


JULIANNA SOFIA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


As empresas do sistema Eletrobrás terão 25% a menos de recursos para investir no setor elétrico no próximo ano. O Orçamento de 2003 prevê uma perda de R$ 1,3 bilhão na dotação para investimentos das estatais em relação aos recursos de 2002.


A redução no Orçamento das estatais afetará principalmente Furnas, cujos recursos globais encolherão 23% em relação a este ano, e a Eletronorte, que terá 8% a menos no próximo ano.


Os dados fazem parte do relatório setorial de infra-estrutura aprovado ontem na Comissão Mista de Orçamento.


A falta de investimentos no setor elétrico foi um dos principais motivos do racionamento de energia ocorrido entre junho do ano passado e fevereiro deste ano.


Levantamento preparado pela equipe de transição do PT sobre o setor indica problemas de abastecimento de energia no Norte e no Nordeste no primeiro ano de mandato do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.


O orçamento da Petrobras para o ano que vem, no entanto, será quase 30% maior que o autorizado em 2002. De R$ 12,7 bilhões, a estatal passará a investir R$ 16,3 bilhões no próximo ano.


A elevação dos investimentos da Petrobras, diz o relatório, é o principal motivo para o aumento de 13% no volume global de recursos que as estatais da infra-estrutura (empresas das áreas de comunicações, minas e energia e transportes) terão em 2003.

Dos R$ 23,3 bilhões que o Orçamento de 2003 destina aos investimentos em infra-estrutura, R$ 21,1 bilhões são relativos às dotações das estatais. O restante refere-se aos projetos realizados diretamente pelo ministério da área, que no próximo ano será 60% menor que em 2002.


O Orçamento geral da infra-estrutura -além de investimentos, inclui recursos para custeio da máquina administrativa, entre outras despesas- será de R$ 34,9 bilhões no ano que vem.

Uma parcela equivalente a R$ 4,3 bilhões, entretanto, foi separada em uma reserva de contingência, que contribuirá para o governo atingir o superávit primário acertado com o FMI (Fundo Monetário Internacional).


O relatório da comissão mostra que neste ano a reserva de contingência ficou em R$ 1 bilhão.


O setor de infra-estrutura foi o que mais recebeu recursos do relator-geral do Orçamento, senador Sérgio Machado (PMDB-CE), para atender emendas dos congressistas. Ao todo, as despesas do setor foram ampliadas em R$ 1,3 bilhão com as emendas acatadas pelo relator da peça.


Leilão da Cesp: comercializadores e grandes consumidores entram forte no negócio

Das 16 inscritas, 13 empresas fazem parte dos dois segmentos que estarão na disputa de 1.956 MW, no dia 11

Gisele de Oliveira, Novos negócios

09/12/2002


A participação de consumidores livres e comercializadores será o grande destaque do leilão de energia da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), que a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) realizará na próxima quarta-feira, dia 11 de dezembro. Das 16 empresas habilitadas, 9 são do segmento de comercialização, que entram forte no negócio de olho no mercado de grandes consumidores.


Para os participantes, a expectativa é que o leilão ofereça energia a preços competitivos, o que seria um bom negócio para os grandes consumidores, já que teriam energia com preços nos mesmos níveis ou abaixo dos praticados como consumidor cativo. Segundo José Antônio Sorge, diretor de Compra e Venda da CPFL Comercialização Brasil, o ideal seria que a energia ofertada tivesse preços abaixos dos praticados no leilão das federais, que aconteceu em setembro.


No leilão das estatais, os preços praticados ficaram na média de R$ 50,11, registrando um ágio de apenas 0,6%. "Iremos participar e verificar as ofertas dos vendedores. Esperamos que sejam competitivas a ponto de nos permitir atender a novos clientes que a empresa venha adquirir", observa Sorge.


O diretor preferiu manter sigilo sobre a quantidade de energia que a empresa pretende comprar no leilão, já que a CPFL Comercialização Brasil ainda está em negociação com grandes consumidores. Não é o caso da Comerc (Comercializadora de Energia Elétrica), que representará quatro grandes clientes no leilão da Cesp.


De acordo com Christopher Vlavianos, diretor da comercializadora, a estimativa é de adquirir cerca de 70 MW na próxima quarta-feira. O volume, explica ele, atenderia as necessidades desses consumidores por um determinado período de tempo, uma vez que ainda não se sabe os preços que serão praticados no negócio.


Para o diretor, o sucesso do leilão dependerá, principalmente, dos preços oferecidos durante a negociação. Por isso, os clientes que a comercializadora representará preferem esperar o andamento do leilão para definir o montante final a ser adquirido. "Verificamos uma grande variedade de produtos, o que aumenta a possibilidade de agradar a todos os grandes consumidores", avalia Vlavianos.


A Cesp ofertará 900 MW médio no total, sendo a empresa com maior oferta de energia no leilão. A energia será distribuída em blocos de 1 MW médio cada, para períodos de um ano até 10 anos, tendo como ponto de entrega os submercados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.


Além da Cesp, o negócio também contará com as presenças da Duke Energy, Ibitermo, Copel Geração e Emae que, juntas, ofertarão 1.056 MW.


Eletropaulo deixa de pagar dívida


SANDRA BALBI

DA REPORTAGEM LOCAL


Com dificuldades de caixa, a Eletropaulo deixou de pagar ontem US$ 100 milhões em "commercial papers" de sua emissão. A empresa também decidiu propor aos acionistas a suspensão do pagamento de dividendos e lucro sobre o capital, no valor de R$ 156 milhões, referentes a 2001.


Há um mês, a Eletropaulo propôs aos credores trocar os "commercial papers" por títulos mais longos, com vencimento em 2004, oferecendo em troca juros maiores que os atuais.


Os credores, investidores espalhados pelo mundo todo, têm até amanhã para aderir à proposta de renegociação. Segundo analistas, a empresa precisa obter a anuência de mais de 80% dos credores para evitar a inadimplência.


"Se isso ocorrer, terá um problema a mais para resolver: a antecipação do pagamento de R$ 334 milhões em debêntures que vencerão em abril e setembro do próximo ano", diz Sérgio Tanashiro, analista do setor elétrico do Unibanco. Isso porque essas debêntures têm cláusula de antecipação de resgate caso a empresa deixe de pagar outros títulos emitidos.


Procurada pela Folha, a Eletropaulo alegou que o nível de adesão dos credores internacionais ao acordo proposto é "sigiloso". Por via das dívidas, a empresa realizará amanhã uma assembléia de debenturistas para que eles aprovem o pedido de "waiwer" (perdão) quanto ao possível não pagamento dos "commercial papers", não antecipando o resgate das debêntures.


Segundo Tanashiro, essas debêntures são indexadas ao IGP-M e foram adquiridas por fundos de pensão e fundos de investimento indexados a esse indicador, além de tesourarias de bancos. "A empresa tem condições de pagar os credores externos e internos dos seus papéis no médio prazo, pois tem uma geração de caixa de R$ 1,4 bilhão anuais", diz o analista.


O problema, segundo ele, é que os vencimentos de dívida da Eletropaulo se concentraram muito a partir de agosto deste ano, quando suas receitas caíram devido à queda de consumo de energia.


Dividendos

A Eletropaulo comunicou à Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) que vai propor aos seus acionistas, em assembléia marcada para o próximo dia 24, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio. A empresa alegou dificuldades de caixa.


Será a primeira vez, desde que foi privatizada, que ela deixa de remunerar o controlador e os acionistas minoritários, segundo analistas do setor elétrico.


ENERGIA

Investidores privados temem quebra de contrato e calote das geradoras estatais

Os investidores em energia elétrica temem que o novo governo quebre contratos ao permitir que geradoras estatais não paguem aos agentes privados o que devem no MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica).

"O adiamento da liquidação dos contratos para auditoria é visto como indício de que poderá haver quebra de contratos", diz Cláudia Costin, presidente da Câmara Brasileira dos Investidores em Energia Elétrica.

A câmara representa 15 investidores privados, entre eles a AES, Duke Energy e Enron.

O deputado federal Luciano Zica (PT-SP), um dos especialistas do partido no setor, diz que o novo governo irá garantir o pagamento das contas após a auditoria. "Não há hipótese de calote. Tive uma conversa pessoal com o presidente eleito sobre isso", afirmou. Ele disse que o partido está à disposição dos investidores para conversar.

Segundo a CBIEE, as geradoras estatais têm que pagar cerca de R$ 3 bilhões para o setor privado. (DA SUCURSAL DE BRASÍLIA)


ENERGIA

Liminar suspende em SP o seguro antiapagão para consumidores residenciais

O juiz Djalma Moreira Gomes, da 7ª Vara Federal em São Paulo, concedeu liminar isentando os consumidores residenciais do Estado do pagamento do seguro antiapagão -tarifa criada para compensar as perdas que as distribuidoras alegaram ter sofrido durante o racionamento de energia em 2001.

A decisão foi dada no julgamento de uma ação civil pública movida pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) contra a Aneel (agência reguladora do setor elétrico) e as empresas Eletropaulo, CPFL, Elektro e Bandeirante. Ela começará a ser cumprida assim que as empresas forem informadas da decisão. A cobrança, feita desde março deste ano, é de R$ 0,0057 por kWh consumido.

A Aneel informou, por meio da assessoria de imprensa, que não havia sido notificada da liminar. A Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial, estatal que faz o pagamento do seguro, também informou que não tinha conhecimento da liminar. (DA REDAÇÃO)

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