A falta de investimentos do passado, que o Ministro, muito convenientemente, culpa pelo aumento de risco, continua, apesar da privatização das empresas e dos lucros alcançados. Tanto que, mais uma vez, o Estado ter …



A falta de investimentos do passado, que o Ministro, muito convenientemente, culpa pelo aumento de risco, continua, apesar da privatização das empresas e dos lucros alcançados. Tanto que, mais uma vez, o Estado terá que aportar recursos através do BNDES e de preços subsidiados do gás para poder viabilizar a construção de usinas térmicas a gás.


Fornecimento de energia no verão preocupa ministro

GLOBO 18/10/99

Rodolpho Tourinho, Roberto Cordeiro


BRASÍLIA. A melhoria no abastecimento de energia no Estado do Rio, no próximo verão, está condicionado à entrada em operação da Usina Termelétrica da CSN, em Volta Redonda, e da Usina Nuclear Angra II, que juntas permitirão um acréscimo de 600 megawats ao consumo no território fluminense. Foi o que afirmou ao GLOBO o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Segundo ele, é importante incentivar a população a adotar o uso racional de energia elétrica:


– Há uma certa preocupação com o verão carioca, pois não se sabe o que pode acontecer em relação à temperatura e ao consumo de energia. Temos que acompanhar bem de perto o caso carioca.


Neste fim de ano, Tourinho vem monitorando o comportamento dos três estados dependentes da energia produzida no país: Rio, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O balanço da primeira semana do horário de verão indicou uma queda de 9,3% do consumo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.


Na avaliação do ministro, este resultado só foi possível porque os consumidores estão usando os aparelhos elétricos e eletrônicos mais tarde. No entanto, ainda não há qualquer estudo que possa tranquilizá-lo sobre o comportamento no período de calor mais intenso. No caso do Estado do Rio, Tourinho assegurou que vem mantendo entendimentos com o governador Anthony Garotinho para evitar uma eventual batalha política que impeça a entrada em operação de Angra II.


– Duas coisas são essenciais para a tranqüilidade do fornecimento de energia: a térmica da CSN e Angra II. Todas as duas estão em teste. Agora, nós estamos tomando todas as providências necessárias, inclusive campanha publicitária para o uso racional de energia. Será uma campanha nacional, mas com direcionamento nas áreas onde a gente pode ainda ter algum tipo de problema, como é o caso do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – explicou.


O ministro assegurou que a falta de investimentos, nas últimas décadas, levou o país a uma produção bem próxima do consumo, nos meses mais quentes. Para Tourinho, a solução está no incentivo aos investidores privados. Para tornar o negócio mais atrativo, o BNDES vai estimular projetos com linhas de crédito.


– A longo prazo, temos o programa térmico brasileiro, importante para a geração de energia. É também fundamental que a construção das térmicas seja próxima ao local de maior consumo. A vulnerabilidade do sistema elétrico é decorrente do transporte de energia numa grande distância – afirmou.


Para atender às necessidades de suprimento de eletricidade no país, Tourinho acredita que são necessárias obras que permitam um acréscimo de 26 mil megawats de energia até 2006. Como as usinas hidrelétricas vão participar com 15 mil megawats, o ministro considera que a solução para chegar ao patamar ideal passa pela construção de usinas termelétricas.


O Governo federal conta com 23 projetos de térmicas que funcionarão a gás natural. E existem estudos para a construção do segundo gasoduto Brasil-Bolívia.

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