A notícia abaixo evidencia um grande festival de bobagens que têm sido ditas a respeito do sistema brasileiro. De 1980 a 2000 o consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 265%. Enquanto isso a capacidade de gera&cc …

A notícia abaixo evidencia um grande festival de bobagens que têm sido ditas a respeito do sistema brasileiro.


De 1980 a 2000 o consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 265%. Enquanto isso a capacidade de geração cresceu 220%, portanto 45% abaixo do consumo. A maior parte desse descompasso ocorreu exatamente na década de 90, sob os governos "modernos". É verdade que parte desse déficit deve ser descontado, pois a entrada de Itaipu na década de 80 provocou uma sobra importante. Havia uma certa "gordura", mas não da ordem de 45%!


As alterações estruturais do setor no sentido da adoção de paradigmas de mercado eliminou um dado muito importante na evolução do sistema: a capacidade de gerar energia garantida, grandeza essa comparável ao consumo. Como não se dispõe maiss desse dado, só nos resta fazer comparações com a capacidade instalada.


Portanto, as novas usinas que somariam 10 mil MW, aproximadamente 14% do que já existe, apenas reporiam uma dívida de capacidade de geração com o consumo. Evidentemente o sistema de mercado não gosta de excesso de investimento e está se lixando para a garantia. Só que, em um sistema como o brasileiro, garantia se faz com sobrecapacidade. Não há outro jeito! E o pior! Essa sobrecapacidade é pré-paga na tarifa! E ela continua aumentando!!


Agora, leiam as bobagens abaixo… e depois analisem os dados apresentados depois da notícia.


Risco de excesso de energia em 2002 divide especialistas



A estimativa é de que cerca de 10 mil MW, entre hidrelétricas, termelétricas e energia emergencial, entrem no sistema

Oldon Machado, Expansão

26/12/2001

O país corre o risco de ter uma superoferta de energia em 2002, depois de um ano marcado pela escassez e pelo racionamento. Com a estimativa de entrada no sistema de cerca de 10 mil MW, entre novas turbinas de hidrelétricas, termelétricas e energia emergencial, alguns especialistas alertam para o novo dilema que o setor está prestes a enfrentar.


A excesso de energia, segundo os especialistas, pode provocar uma acentuada queda nos preços livres da energia nova. Para o consultor Sérgio Ennes, da Lumina Consultoria, o país está diante de um paradoxo energético. "Por causa do racionamento, há excesso de energia elétrica contratada pelos distribuidores", observa.


Para ele, é hora de já começar a pensar no mercado depois do racionamento. "É preciso saber como tratar os expressivos excedentes nos contratos de eneregia de quase todos os geradores, para evitar nova controvérsia em 2003", comenta Ennes.


O analista de energia da Tendências Consultoria, Armando Franco, é outro que considera que o país caminha para uma oferta demasiada de energia no sistema, não só pelos novos projetos. "As chuvas estão acima da curva guia, que é de 75% nos reservatórios. É bem provável que chegemos ao final do período úmido com 50% de capacidade nos reservatórios, o que já garante uma boa oferta", diz o analista.


Risco do sistema – Luis Godoy Peixoto, diretor Econômico-Financeiro da Chesf (Companhia de Hidreletricidade do São Francisco), este é um risco que se corre porque o sistema é predominantemente hidrelétrico. Ele considera natural o governo fazer a contratação de energia emergencial para garantir a oferta de energia nas regiões mais críticas.


"Quem tem um sistema como o brasileiro pode ter um ano com regime hidrológico bom para não usar a energia das termelétricas. Mas o país precisa investir em térmicas para diversificar a matriz para ter um sistema com maior confiabilidade", analisa Godoy.


Numa outra corrente, o conselheiro do Comae (Conselho do Mercado Atacadista de Energia Elétrica) Lindolfo Paixão não acha que a oferta cresça a tal ponto de criar um embaraço por excesso de energia. "O mercado é mutante, ele se ajusta de acordo com a situação vivida. Além disso, a experiência anterior não mostra isso" diz. Segundo o conselheiro, os investimentos até agora não indicaram uma superoferta de energia, e o PPT (Programa Prioritário de Termelétrica) não deslanchou.


Aumento nas contas de luz começa a valer a partir de hoje (Estadão 27/12)

Reajuste faz parte do acordo para repor perdas por causa do racionamento




SORAYA DE ALENCAR


BRASÍLIA – A partir de hoje, a energia elétrica custa mais caro. Os consumidores residenciais e rurais pagarão 2,9% a mais, e a indústria e o comércio terão aumento de 7,9%. A cobrança só será feita nas contas de janeiro. A informação foi dada ontem pelo coordenador do Comitê de Assessoramento Jurídico da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), André Serrão Borges de Sampaio.


O objetivo do aumento é a recomposição dos custos das distribuidoras, que alegam ter tido perdas de receitas por causa do racionamento de energia.


Enquanto o consumidor garante a parte das distribuidoras, o governo está autorizando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a conceder financiamento às geradoras de energia que também reclamam de perdas.

De acordo com o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eduardo Henrique Ellery Filho, os aumentos que passam a valer a partir de hoje deverão vigorar até todas as empresas terem recomposto suas perdas. "O prazo médio é de 36 meses", afirmou. Mas destacou que pode variar uma empresa para outra.

Ontem a Aneel enviou as resoluções autorizando a cobrança para publicação no Diário Oficial da União. Foram 43 resoluções, pois este é o número de distribuidoras na área do racionamento.

Ao longo do período de vigência do aumento, segundo Ellery Filho, esse reajuste não incidirá nos aumentos anuais previstos nos contratos das concessionárias. André Serrão, garantiu, inclusive, que o cálculo desse aumento será feito de maneira separada. "Ainda não sabemos se na conta do consumidor o aumento estará apartado", disse.


A cobrança do aumento faz parte de um acordo com as empresas do setor de energia elétrica e foi regulamentado pela Medida Provisória 14, editada pelo governo no último dia 21.




O gráfico mostra a evolução da percentagem média de tempo que cada MW instalado teve que gerar para atender a demenda de energia. Ele foi obtido calculando-se o consumo médio de cada ano e dividindo-se este valor pela capacidade total instalada. Por exemplo, em 1983 cada 1 MW instalado era responsável por 3.600 MWh e para gerar isso foi "usado" 42% do tempo. Em 2000, cada 1 MW instalado foi responsável por 4.600 MWh gerado obrigando a elevar o uso para 53%. Um aumento de 25%. Não havendo a adição de novas usinas no sistema, as existentes ficaram cada vez mais sobrecarregadas.


Como o sistema é hidráulico, "usar" mais significa também esvaziar mais os reservatórios. Entretanto, qualquer sistema hidráulico que se digne a oferecer uma energia com garantias, tem que programar uma sobrecapacidade. Desperdício, dirão alguns PHD’s da teoria neo-liberal. Ledo engano, pois com toda a sobrecapacidade a geração hidráulica é muito mais barata.


O racionamento em 2001 apenas reduziu a demanda recolocando o percentual em um nível vigente ao final da década de 80.


Portanto os 10 mil MW apenas recompoem o que foi "surrupiado" do consumidor.


O futuro, com garantias, continua incerto!


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