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Os próximos índices de correções das tarifas de energia também deverão ser baixos ou até mesmo virar descontos tarifários, segundo análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pelos reajustes e revisões tarifárias do setor. Vários fatores vêm influenciando essa queda. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) registrou em agosto a quarta deflação seguida, acumulando alta de 0,75% no ano. Outra boa notícia é o comportamento do dólar, que continua abaixo de R$ 2,40, mesmo num cenário de crise política. O superintendente de regulação econômica da Aneel, César Antônio Gonçalves, ressalta que além da deflação dos IGPs, a queda do dólar barateia a compra de energia da hidrelétrica de Itaipu. Hoje, 25% da energia comprada pelas distribuidoras do Sul e do Sudeste para revenda vem de Itaipu, cujo preço é em dólar. Além disso, segundo Gonçalves, os leilões de energia existente feitos no fim do ano passado e começo deste ano colocaram os preços da energia em patamares mais baixos. “Para as distribuidoras, os custos de compra de energia estão bem abaixo do verificado no ano passado”. Em 2004, Gonçalves explica que nos casos de revisão tarifária, no entanto, a pequena alta dos IGPs não terá grande influência. Isso porque, para a Aneel, os reajustes tarifários e as revisões de tarifa são coisas distintas. Os reajustes, feitos anualmente, levam em consideração uma fórmula que envolve o IGP-M, e dele se subtrai o fator X, que funciona como um redutor tarifário. O fator X é a incorporação às tarifas de parte dos ganhos de produtividade das empresas. Agora em setembro, serão feitas as revisões tarifárias da Com a perspectiva de os IGPs fecharem o ano abaixo de 2% e a forte valorização do câmbio, o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), traça um cenário bem mais tranqüilo para a alta da energia no resto deste ano e também em 2006. Gomes Filho estima que o grupo energia no IPCA deve subir 7,5% em 2005. No começo do ano, ele previa uma alta de 9,5%. De janeiro a junho, os preços da eletricidade subiram 5,3%. Para atingir a previsão de 7,5%, o reajuste médio de agosto a dezembro deve ficar em 0,41% ao mês. Desse modo, a aposta em reajustes modestos de energia daqui para a frente ajudou a tornar mais benigno o quadro para a inflação em 2005 e 2006. A previsão do mercado para o IPCA, que serve de referência para o regime de metas, está em 5,26%, depois de atingir 6,39% em meados de maio. Depois da mudança do regime de câmbio em 1999, os preços de energia foram uma das principais fontes de pressão inflacionária, dificultando a vida do BC em sua tentativa de controlar a inflação, nota Gomes Filho. O quadro foi dramático principalmente em 2003, quando as cotações de energia aumentaram nada menos de 25%, muito acima dos 9,3% do IPCA. Esse movimento se deveu em grande parte à alta significativa dos IGPs nos últimos anos, mas também a fatores como o seguro-apagão, instituído em 2002. De janeiro de 1999 a julho deste ano, o grupo energia aumentou 175,6%, enquanto o IPCA teve alta de 70,1% no mesmo período. Gomes Filho prevê que a diferença vai se estreitar bastante, principalmente em 2006. Ele acredita que os preços de energia vão subir 5% no ano que vem e o IPCA, 4,9%. A economista Tatiana Pinheiro, do Para o especialista em energia e diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (Cbie), Adriano Pires, a principal preocupação no momento é a mudança na política tarifária proposta pelo governo, de trocar o IGP-M pelo IPCA como indexador dos contratos de energia. “Quem perde com essa troca é o consumidor”, diz ele. Para Pires, se a crise política se agravar, pode ocorrer uma nova alta do dólar. “E aí, o IGP-M volta a crescer”. O superintendente da Aneel diz que mudanças na política tarifária não são de responsabilidade da agência, e sim do governo. Mas ele não acredita que essa mudança traga impactos ao setor. “No longo prazo, IPCs e IGPs sempre apresentaram a mesma evolução”. De janeiro de 1999 até julho deste ano, porém, a história é um pouco diferente: o IPCA subiu 70,1%, enquanto o IGP-M acumula alta de 125,6%. Leila Coimbra e Sergio Lamucci ValorSão Paulo |