Esta carta do presidente da Petrobrás, abaixo publicada,é bem reveladora do usual estilo da
jornalista Mirian Leitão, baseando-se no “ouvi dizer que…” (sic), para fazer afirmações graves contra aquilo que contraria aqueles cujos interesses sempre predominam em suas colunas na imprensa.
CARTA DO PRESIDENTE DA PETROBRÁS À JORNALISTA MIRIAM LEITÃO
Data: Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
Minha Cara Miriam Leitão,
gostaria de fazer alguns comentários sobre sua coluna do último sábado, dia29. No primeiro e último parágrafos, você destaca a importância da crítica, avaliação permanente e acompanhamento pelos diversos públicos de interessedo que se passa com a Petrobras. Concordo inteiramente. Acredito, noentanto, que os comentários públicos, especialmente de pessoas dereconhecida influência como você, devem ser sempre baseados em fatos e dadose não em informações inverídicas e inadequadas. Vamos aos fatos:
1 – Não é verdade que a revelação do empréstimo da CEF “veio de um senadorda oposição”. Os dados deste empréstimo foram publicados, de formaabsolutamente normal, nas informações regulares que prestamos às autoridadese a todo o mercado financeiro quando da divulgação do nosso balançotrimestral. Ele está reportado nas Informações Trimestrais – ITR do terceiro trimestre de 2008, nas páginas 84 e 85, que foram arquivados na Comissão deValores Mobiliários e amplamente divulgados pela Petrobras em 11 de novembrode 2008. Elas podem ser acessadas no site da CVM como no site de Relaçõescom Investidores da Petrobras, na seção de Relatório Financeiros (www.petrobras.com.br/rj).
Neste sentido, também não é correta a insinuação de que não teríamos”critérios contábeis transparentes”. Adotamos práticas e procedimentos deforma amplamente reconhecida pelo mercado e analistas como dos mais transparentes da indústria. Atendemos a todos os requisitos contábeis dalegislação brasileira e dos Estados Unidos da América.
O empréstimo da CEF de fato apresenta algumas “singularidades” pelo seuvolume e por ter sido realizado com instituição bancária brasileiranomercado nacional. Singular, aliás, é o momento que vivem o mercadofinanceiro e as empresas em todo o mundo em consequência da grave crise originada pelos Estados Unidos e países ricos. Até recentemente, a Petrobrasvinha realizando de forma trivial, operações semelhantes no mercado internacional, devidamente reportadas, mas sem a repercussão provocada pelapolitização, muitas vezes irresponsável, tão conveniente à oposição.
No entanto, nem estas “singularidades” modificam as praticas bancáriasnormais, as condições do mercado de crédito e as autorizações regulatórias pertinentes. Dada a contração dos mercados internacionais de crédito, oConselho Monetário Nacional estendeu à Petrobras as mesmas condições quegozam as empresas privadas quanto ao acesso a empréstimos com o Sistema Financeiro Nacional, um dos mais sólidos do mundo neste momento. Realizamosuma operação absolutamente legal, legítima, em condições de mercado com aCEF e podemos voltar a fazer outras com instituições brasileiras, se ascondições forem adequadas pois, conforme amplamente divulgado em nosso planode negócios, temos captações a fazer nos próximos anos.
2 – Quanto ao teor do enxofre do diesel, também há uma série de incorreçõesem seus comentários, geradas, acredito, de informações repassadas por fontecitada na coluna. A fonte em questão está em campanha aberta contra aPetrobras, beirando a irresponsabilidade. De novo, vamos aos fatos:
É mentirosa a afirmação de que a resolução do Conama define limites para aredução do enxofre. Ela se refere a emissões de particulados, o que não étecnicamente a mesma coisa.
É equivocado seu relacionamento entre importações e presença de enxofre dodiesel. A diferença entre preços de importação e vendas do mercadobrasileiro se ampliou devido ao ritmo rápido de aumento dos preçosinternacionais em meados do ano de 2008, quando o preço do barril atingiu afaixa dos 140-150 dólares, o crescimento da demanda brasileira devido àpujança da safra agrícola, o tempo para o processamento das importações,desembaraço em portos brasileiros, tempo de estocagem e do tempo de entregapara os distribuidores brasileiros.. Estes processos foram surpreendidospela velocidade de mudanças dos preços, provocando as defasagens registradas no balanço do terceiro semestre.
A nossa política de preços de diesel tem sido sistemática, clara eperfeitamente transparente: não repassamos para o mercado brasileiro as flutuações de curto prazo dos preços internacionais e as mudanças curtas detaxa de câmbio. Essa política, às vezes, nos consome caixa, conformeaconteceu no terceiro trimestre deste ano, entretanto mantemos orelacionamento dos nossos preços domésticos com os preços internacionais nassuas tendências consolidadas de longo prazo.
Os comentários de sua fonte sobre o ISE e as conseqüências para a Petrobrasrevelam uma inusitada e surpreendente quebra de condições de contrato daentidade a quem este senhor pertencia ou pertence, com a instituição quegerencia o ISE. Uma das condições deste contrato é o respeito à confidencialidade das suas decisões.
A Petrobras solicitou formalmente ao ISE informações sobre os motivos de suaexclusão, e até agora não fomos atendidos, recebendo apenas respostasgenéricas que não confirmam ao que a fonte em questão vem vociferando contraa empresa.
Miriam, acredito que, lamentavelmente, muitos de seus comentários consolidamuma visão conceituada previamente de que tudo o que fazemos tem motivaçõespolíticas e que as criticas que nos fazem são geralmente técnicas. Nãoconcordo com esta visão e acredito que a maior parte das críticas neste momento é motivada por razões profundamente políticas e ideológicas, semembasamento técnico.
Certo de que meus esclarecimentos serão levados em conta, despeço-me,
José Sergio Gabrielli de Azevedo