Consumo de Energia Elétrica

A notícia:

O crescimento no consumo de energia pela indústria brasileira no primeiro semestre foi de 5%, abaixo dos 5,6% verificados em igual período de 2004, e também menor que as demais classes de consumo. O resultado foi divulgado pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, na estréia das pesquisas da EPE, criada pela lei que desenhou o novo modelo do setor elétrico.

Na avaliação de Tolmasquim, a perda de fôlego da indústria é explicada pela diferença de comportamento do mercado de energia este ano em relação ao ano passado. “O crescimento da produção industrial no primeiro semestre foi menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. No terceiro trimestre de 2004, a indústria acelerou, dando uma puxada. Por isso, o resultado mostra uma queda agora”, explicou.

Somando-se todas as classes de consumo, incluindo os consumidores livres, o consumo brasileiro de energia elétrica aumentou 5,4% entre janeiro e junho, ficando acima dos 3,3% do mesmo período do ano passado. Considerando-se apenas o mês de junho, o crescimento foi de 6,4%, mas a expectativa de Tolmasquim é de redução do ritmo no segundo semestre.

O freio no crescimento da indústria não foi acompanhado pelas outras classes de consumo. O consumo de energia pelo setor residencial cresceu 5,1% no primeiro semestre, contra crescimento de apenas 1,9% no mesmo período do ano passado. Segundo Tolmasquim, esse resultado foi impulsionado em parte pelo aumento da massa salarial e do crédito, que aumentou as compras de
eletrodomésticos; e também pelo aumento da temperatura média.

Já o consumo do setor comercial cresceu 8% no acumulado de janeiro a junho, ante os 3,4% do mesmo período de 2004. “Também nesse caso, o resultado foi causado pela ampliação da rede de varejo e o efeito temperatura”, ressaltou.
O segmento “outros”, que embute o consumo rural, também apresentou forte retomada, crescendo 7,7% até junho, ante queda de 1% no primeiro semestre de 2004.

A EPE projeta crescimento de 4,8% do consumo em 2005, pouco acima do verificado no ano passado, quando o consumo cresceu 4,6% de janeiro a dezembro. Se confirmada a previsão para este ano, o mercado de energia terá crescido
menos que a média do primeiro semestre. Mas isso é explicado pela diferença de comportamento do mercado de energia no ano passado: no primeiro semestre desse ano, a produção foi maior do que no mesmo período do ano passado, enquanto no terceiro trimestre deste ano a indústria não deve repetir o crescimento acelerado da produção verificado no mesmo período de 2004. Tolmasquim adiantou que poderá mudar a projeção da EPE para o crescimento do PIB, atualmente de 3%, já que, segundo, ele tudo indica que o PIB crescerá mais.

Os dados da carga divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o consumo no sistema interligado cresceu apenas 2,3% em julho, comparado ao mesmo mês do ano passado. Apesar de serem diferentes – o ONS trabalha com o conceito de carga transmitida no sistema e não contabiliza dados do Norte isolado, que integra a medição da EPE – os dados são convergentes.
Por isso, Tolmasquim disse esperar retração nos dados de julho, ainda não informados à EPE, que utiliza dados de faturamento fornecidos pelas distribuidoras.
Cláudia SchüffnerJornal Valor Econômico

Comentários:

O novo modelo do setor elétrico implantado no atual governo dá mais um passo com a implantação efetiva da EPE- Empresa de Pesquisa Energética, reorganizando o planejamento do setor elétrico que foi desmantelado pelas fórmulas mercantilistas
implantadas no País a partir da década de 90. A divulgação pública dos estudos de mercado de energia elétrica, que esperamos ser uma sistemática, é o primeiro sinal de que dados públicos devem ser disponibilizados para a sociedade.
Com as privatizações das concessionárias a partir dos anos 90 as informações ficaram truncadas, por interesses comerciais, muitas vezes legítimos. Daí
a necessidade de uma capacitação de pessoal, de banco de dados e análises energéticas. Um País da dimensão como o nosso uma base pública de dados energéticos é fator de relevância para os futuros investimentos. Sejam privados ou públicos.
A sociedade aguarda os Planos de curto, médio e longo prazo não somente para o setor elétrico, mas para o setor energético. A EPE é o órgão que
deverá desenvolver uma planejamento integrado conforme legislação e terá um papel de discutir com os agentes que atuam no campodaenergia, como um todo, as questões tecnológicas, estratégicas e elaborar planos diretores e cenários estratégicos.
Espera-se que o MME , com as tais mecanismos desenvolvidos pela EPE, trace políticas energéticas de longo prazo para o Brasil. Que tais políticas
sejam discutidas pelo Congresso e assim o País não fique a mercê em um futuro, de políticas circunstanciais voltadas somente negócios empresariase muitas vezes contrariando o interesse nacional.
Afinal políticas energéticas não podem atender a interesses pontuais.
Assim como a economia não está em sobressaltos com a crise política atual, a política energética não poderá ser mutante e ficar sob ideologias de
governos.
Assim a EPE está plantando a semente para se tornar a empresa técnica de energia que apoiará o executivo .em qualquer governo, a traçar aa estratégias nacionais de energia.

Quanto aos números divulgados o que chama a atenção é que o País retorna ao seu ritmo de consumo nos patamares antes do racionamento.

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