Consumo do Gás Natural. Comentário


CONSUMO NACIONAL DE GÁS MANTÉM-SE ESTÁVEL


Jornal do Commercio/RJ, 31/3/06



O consumo de gás natural em todo o Brasil manteve-se estável em fevereiro. Dados divulgados pela Abegás – Assoc. Bras. Empresas Distrib. Gás Canalizado indicam que o volume comercializado no mês foi de 42,7 milhões de metros cúbicos diários, próximo ao do mês anterior. Segundo a Abegás o volume comercializado em fevereiro é significativo porque o mês teve apenas 19 dias úteis.


Em comparação com o mesmo período do ano anterior houve um crescimento de cerca de 16%, incluindo-se o consumo das termoelétricas ou de 12,2% se for excluída a geração elétrica. O segmento de geração de energia via termelétricas foi o que apresentou o maior índice de crescimento do consumo. Comparando com 2005, o incremento foi de 29,4%. A seguir vem o GNV (veicular) com 27%. Os números do volume comercializado de GNV refletem o aumento contínuo e firme do setor. Segundo a Associação, se a média se mantiver, o crescimento do segmento até 2010 deverá se aproximar de 60%.


Já o setor comercial apresentou crescimento de 16%, na mesma base de comparação, seguido pelo setor industrial cujo volume aumentou 9,5%, em fevereiro último. O segmento residencial foi o único que apresentou retração, de 2,5%, em relação a 2005.



COMENTÁRIO



Demanda Inadiável



O consumo de gás natural tem evoluído de forma extraordinária no Brasil, e continua crescente, mantendo uma taxa média anual próxima dos 20%, infelizmente, para um país que ainda está longe de ter alcançado uma participação razoável do energético na sua matriz, um crescimento insustentável do ponto de vista da oferta. E isto ocorre em razão das distorções provocadas pelos incentivos concedidos a segmentos que não deveriam estar no grupo dos prioritários na sua utilização.



A matéria do Jornal do Comercio (acima)publicada em 31/03, comprova tal afirmação.



O volume consumido nas termelétricas, mesmo com grande variação, continua sendo o que mais cresce, apesar dos MW oriundos das térmicas a gás previstas no PPT do governo FHC não terem emplacado. Ainda bem que isso não aconteceu, pois caso contrário já estaríamos vivendo o apagão do gás, por não existir gás natural suficiente para todas as usinas previstas no país.



O gás veicular (GNV) também, principalmente devido a mais esse “estímulo” dado pelo aumento do álcool e da gasolina, é outro segmento que não para de crescer de forma incontrolável.


Em quanto isso, outros segmentos onde os benefícios para o país seriam muito maiores, continuam com crescimento insignificante ou apresentando retração, conforme foi observado no setor residencial .



Em todo o país são consumidos perto de 43 milhões de metros cúbicos diários, dos quais 13,5 milhões no Estado de São Paulo, distribuídos pelas 3 empresas que dividem a concessão em áreas distintas do Estado, 11,4 milhões no Estado do Rio de Janeiro, onde a distribuição é feita pelo grupo Gás Natural (espanhol), controlador das duas concessionárias (CEG e CEG Rio), no Rio Grande do Sul são 4 milhões, na Bahia 3,5 milhões, em Pernambuco 3 milhões, e em Minas Gerais 2 milhões, só para citar os principais mercados.



O momento, apesar da demanda crescente, poderia ser de reavaliações e de definições para o planejamento do crescimento sustentado do setor, pois as propostas de legislação para o gás natural estão no Congresso Nacional para decisão. No entanto, os projetos de lei propostos, que preferiram, não tocar na questão polêmica, mas que é inadiável, de orientação sobre as prioridades no uso do gás natural, no nosso entendimento, ao contrário do que seria também fundamental nesse momento, não proporcionam um ambiente favorável para realização dos investimentos para ampliação da malha de gasodutos existentes no país.


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