Déficit Zero rejeitado pela maioria

O Brasil não merece


O projeto “déficit zero” não é solução para a crise, porque não resistiria a uma corrida contra o real e suas conseqüências fiscais. No Valor, (26/7), o brilhante deputado Delfim Netto disse que “a sociedade vem sendo enganada com o conceito de superávit primário”. Como pretende o deputado zerar o déficit sem aumentar o superávit primário? Impondo um teto à Selic? A proposta de Gustavo Loyola (“Estado de S. Paulo”, 24/7) é melhor: se resume em fixar metas para as despesas primárias e proibir as vinculações de receitas.


Nota zero para duas frases do professor Milton Friedman na primeira página do Valor ( 22/7). A primeira: “Se o déficit nominal for igual a zero, o Banco Central não precisará imprimir dinheiro”. É um aumento da dívida pública, e não de dinheiro, que financia o déficit. E onde há crescimento, a impressão de dinheiro deve acompanhar o aumento de sua demanda para transações.


A segunda frase é pior: “Se o BC não imprimir notas, a taxa de juros vai cair”. O rei dos monetaristas não teve chance de explicar que, ao “não imprimir notas”, o Banco Central forçaria a queda da inflação e essa queda levaria à da taxa de juros nominal no longo prazo. Mas, no curto prazo, o arrocho monetário levaria a taxas mais altas do juro nominal e real. Com a defesa de amigos como o guru neoclássico, o “déficit zero” não precisa de inimigos.


Comentário


O texto acima foi escrito pela economista Eliana Cardoso, em sua coluna no Valor.


A proposta de “deficit nominal zero”, lançada por Delfim Neto, está sendo rejeitada por diversos setores da sociedade entre os quais estão os economistas chamados de esquerda. Mas a frase final deste texto é sintomática da rejeição total dessa idéia. “Com a defesa de amigos como o guru neoclássico (neoliberal, diríamos nós), odeficit zeronão precisa de inimigos”.

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